A influenciadora digital e portadora de nanismo Caroline Queiroz, criadora do canal de YouTube Gatinha das Artes, foi às redes sociais reclamar de um homem que saltou sobre ela, nesta quarta-feira (2), em Niterói, filmou o ocorrido e publicou no Instagram. Ela estava caminhando na rua, na volta da escola, quando o episódio ocorreu. Caroline disse que se sentiu humilhada e que acredita que a suposta brincadeira foi feita para zombar de sua deficiência.
No post em que comentou o caso, no seu perfil de Instagram, Caroline escreveu: “Queria nunca estar precisando fazer esse tipo de vídeo NUNCA! Mas tem coisas que precisam ser faladas para que não ocorram novamente, nem comigo e nem com ninguém que tenha deficiência seja qual for!!”.
No vídeo, a influenciadora disse que o homem que saltou sobre ela ainda pediu a outra pessoa que filmasse, para depois postar a suposta brincadeira, e que “levou uma plateia” para rir dela.
“”Aquilo não é brincadeira. É vergonhoso, é humilhante, é desrespeitoso comigo”. Ela contou que a postagem do homem repercutiu entre as escolas de Niterói, o que levou outras pessoas a zombarem dela, e comenta que o vídeo alcançará muitas outras pessoas, o que a deixará ainda mais exposta.”
“Zoar a deficiência de uma pessoa e invadir o seu espaço nunca será engraçado e nunca pode ser considerado um motivo de piada ou motivo de chacota. Zoar a deficiência de alguém se chama capacitismo e é um crime muito grave e sério, que é equiparada ao racismo”, disse ela. “Vocês postaram isso na maldade, com motivo de me ridicularizar, e desrespeitar a pessoa que eu sou, mas eu sou muito mais do que isso”.
A influenciadora acrescentou que ela e a familia estão tomando as providências devidas sobre o caso.
Internautas fizeram comentários em solidariedade à influenciadora: “Meu amor, estamos com você e não vamos descansar enquanto não for punido!”. Outra seguidora escreveu: “Não sei nem o que comentar, apenas me senti no seu lugar”.
O capacitismo é crime no Brasil, segundo a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) 13.146/2015, que define que discriminar ou recusar acessibilidade e inclusão é crime. Cometer bullying ou assédio moral também configura capacitismo, assim como impedir uma pessoa com deficiência de entrar em estabelecimentos por conta de sua condição, ofender verbalmente alguém, utilizando termos depreciativos e discriminatórios relacionados à deficiência, e negar oportunidades de emprego ou atendimento médico por causa da deficiência da pessoa.
Os casos devem ser denunciados a Ouvidorias de Direitos Humanos (Disque 100), conselhos municipais ou estaduais da pessoa com deficiência, delegacias de polícia, Ministério Público, Justiça do Trabalho, Procon e Defensoria Pública.