O documentário Raízes do Sagrado Feminino, da cineasta Carla Camurati, traz uma reflexão profunda sobre o papel das mulheres nas religiões ao longo da história. Com estreia marcada para o dia 25 de maio de 2026, nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, o filme investiga como textos sagrados de diversas tradições influenciaram a posição feminina na sociedade.
Camurati aborda temas como igualdade de gênero e liberdade religiosa, destacando como interpretações de textos sagrados moldaram estruturas sociais patriarcais. O documentário reúne especialistas, teólogos e líderes religiosos que discutem como narrativas divinas foram utilizadas para justificar a exclusão e a submissão das mulheres.
Uma Jornada de Pesquisa e Reflexão
A cineasta explica que o projeto nasceu de um extenso processo de pesquisa, que envolveu a análise de textos sagrados e entrevistas com figuras importantes. “O filme teve várias dimensões de pesquisa, e não havia uma linha crítica desde o princípio. Era um processo vivo”, afirma Camurati.
Durante a produção, a presença de estruturas patriarcais nas religiões se tornou evidente. A diretora destaca que, ao estudar os textos, ficou claro como o sagrado feminino foi silenciado ao longo dos séculos. O documentário busca iluminar esses aspectos que foram modificados ou apagados nas interpretações tradicionais.
Uma das falas impactantes do filme é da teóloga Ivone Gebara, que afirma: “É de nós, mulheres, que nasceu a experiência da liberdade”. Essa reflexão traz uma nova dimensão ao debate sobre o papel feminino nas religiões, mostrando que a liberdade é uma construção que deve ser resgatada.
Interpretações Contemporâneas e Conexões Entre Religiões
Camurati também apresenta interpretações contemporâneas, como a releitura da personagem bíblica Eva, que é associada ao conhecimento, em vez de à culpa. Essa nova perspectiva busca ressignificar a imagem feminina nas tradições religiosas.
O documentário não tem a intenção de confrontar as crenças religiosas, mas sim de discutir como as estruturas espirituais podem ter contribuído para a desigualdade de gênero. “Compreender as raízes é o primeiro passo para transformar o futuro”, conclui a cineasta.
Com uma abordagem sensível e informativa, Raízes do Sagrado Feminino promete abrir um importante espaço de diálogo sobre o papel das mulheres nas religiões. O filme está em cartaz nos cinemas de São Paulo e do Rio de Janeiro e deve chegar em breve às plataformas de streaming, oferecendo a todos a oportunidade de refletir sobre essas questões fundamentais.











