A Justiça determinou que o ex-síndico Cleber Rosa de Oliveira seja julgado pelo Tribunal do Júri pela morte da corretora Daiane Alves Souza e pela ocultação do cadáver. A decisão também manteve a prisão preventiva do acusado.
O crime ocorreu em 17 de dezembro de 2025, no Condomínio Golden Thermas Residence, no Edifício Amethyst Tower, em Caldas Novas. O corpo de Daiane foi localizado em 28 de janeiro de 2026, em uma área de mata às margens da rodovia GO-213.
A decisão de pronúncia foi proferida pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Caldas Novas. Com isso, a Justiça entendeu que há prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que o caso seja levado a julgamento popular.
Segundo os autos do processo, o crime teria ocorrido após um conflito entre o acusado e a vítima relacionado às regras do condomínio. Antes do assassinato, Daiane havia obtido uma decisão judicial que lhe garantia o direito de exercer suas atividades profissionais no local e utilizar as áreas comuns.
No dia do crime, o fornecimento de energia elétrica do apartamento da corretora foi cortado intencionalmente. Ao ir até o subsolo para verificar o disjuntor, Daiane gravou vídeos com o celular e enviou parte do conteúdo em tempo real a uma amiga.
Um terceiro registro audiovisual, recuperado posteriormente pela Polícia Civil, teria flagrado o momento em que a vítima foi surpreendida e atacada pelo ex-síndico. Conforme a acusação, ele usava luvas e escondia o rosto.
Ainda de acordo com a acusação, após o ataque no subsolo, Daiane foi transportada na caçamba de uma Fiat Strada até uma área de mata. No local, ela teria sido atingida por dois disparos de arma de fogo na cabeça. O corpo foi abandonado e encontrado semanas depois em avançado estado de decomposição.
O Ministério Público apresentou três qualificadoras para o homicídio, todas acolhidas pela Justiça: motivo torpe, relacionado às divergências e ao descontentamento com a atuação profissional e judicial da vítima no condomínio; recurso que dificultou a defesa, em razão da emboscada planejada no subsolo após o corte de energia; e meio cruel, pelo sofrimento imposto durante a agressão, o transporte e a execução.
Cleber Rosa de Oliveira permanecerá preso enquanto aguarda a definição da data da sessão do Tribunal do Júri. Além do homicídio triplamente qualificado, ele responderá pela ocultação do cadáver.











