O biometano está se consolidando como uma nova fonte de receita no agronegócio brasileiro, transformando resíduos em energia renovável. A produção desse biocombustível a partir de dejetos da suinocultura não apenas gera energia, mas também fertilizantes e créditos ambientais, criando uma nova cadeia de valor para os produtores rurais.
Esse movimento representa a evolução da chamada “terceira safra”, onde os resíduos do agronegócio deixam de ser considerados passivos ambientais e se tornam ativos estratégicos. Essa mudança é fundamental para a sustentabilidade do setor e para a economia rural.
Primeira usina certificada na América Latina
Recentemente, foi inaugurada em Campos Novos, Santa Catarina, a primeira usina da América Latina dedicada à produção de biometano a partir de dejetos suínos, com certificação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. O investimento de mais de R$ 60 milhões marca um avanço significativo para o setor de bioenergia no Brasil.
Operada pela H2A Bioenergia, a usina representa uma transição importante na gestão de resíduos, integrando a produção energética ao agronegócio. Essa inovação pode servir de modelo para outras regiões do país, mostrando que é possível aliar produção rural e geração de energia de forma sustentável.
Modelo de parceria entre produtores e indústria
A H2A Bioenergia adota um modelo de parceria com os produtores rurais, que fornecem os dejetos enquanto a empresa oferece tecnologia e gestão. Essa colaboração resulta em uma nova fonte de receita, permitindo que os produtores participem da geração de valor por meio da venda de biometano e créditos de descarbonização.
Além disso, a produção de biometano é menos suscetível às variações climáticas, proporcionando maior previsibilidade de receita para os agricultores. Essa estabilidade é um fator crucial em um setor que enfrenta desafios constantes devido às condições do tempo.
Expansão do setor e novos investimentos
Com o sucesso do projeto em Campos Novos, a H2A Bioenergia planeja um investimento de R$ 2,9 bilhões nos próximos cinco anos, com a meta de implantar 22 novas usinas no Brasil e em outros países da América Latina. Essa expansão pode transformar o agronegócio em um novo polo da indústria energética, promovendo a geração descentralizada de energia renovável.
Novas usinas já estão em desenvolvimento, como a unidade em Rio Verde (GO), que deve entrar em operação ainda este ano, e outra em Ponta Grossa (PR) programada para 2026. Em Santa Catarina, projetos de licenciamento estão avançando em municípios estratégicos, visando formar polos regionais de produção de biometano e fortalecer a eficiência energética no campo.











