O mercado brasileiro de soja encerra maio com negócios travados e preços estáveis, refletindo a pressão de safras recordes no cenário global. A combinação de fatores como a alta oferta nos Estados Unidos e as tensões geopolíticas no Oriente Médio tem deixado tanto produtores quanto compradores cautelosos, dificultando a comercialização da oleaginosa em várias regiões do país.
As transações no mercado físico foram limitadas, com os agentes do setor adotando uma postura defensiva diante da volatilidade cambial e das oscilações na Bolsa de Chicago. A expectativa em relação à demanda chinesa também contribui para essa cautela, uma vez que o país é o maior importador mundial de soja e suas compras impactam diretamente os preços.
Preços da soja e o cenário regional
Os preços da soja em maio apresentaram pequenas variações nas principais regiões produtoras. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos foi cotada a cerca de R$ 126,00, enquanto em Cascavel (PR), o preço ficou em torno de R$ 121,00. Em Rondonópolis (MT), um dos polos do Centro-Oeste, a cotação foi de aproximadamente R$ 110,00.
No Porto de Paranaguá (PR), referência para exportação, os preços oscilaram na faixa de R$ 132,00 por saca. Esse comportamento reflete um equilíbrio entre fatores de sustentação, como o dólar firme, e a pressão da ampla oferta global, que continua a impactar o mercado.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago, o contrato de julho da soja encerrou o dia 28 cotado a US$ 11,94 1/2 por bushel. As tensões no Oriente Médio e o avanço do plantio nos Estados Unidos têm gerado volatilidade nos preços, enquanto a demanda da China permanece como um ponto de atenção para os investidores.
As perspectivas para a safra brasileira de soja em 2025/26 são otimistas, com uma produção estimada em 178,11 milhões de toneladas, um aumento de 3,7% em relação à safra anterior. Essa expectativa reforça a posição do Brasil como o maior produtor e exportador global da oleaginosa, o que pode beneficiar a economia regional e os produtores locais.
Com a Argentina também revisando sua safra para 49,9 milhões de toneladas, a oferta sul-americana no mercado internacional tende a aumentar. Para os próximos meses, analistas indicam que o mercado de soja continuará sensível ao clima, à demanda chinesa e às tensões geopolíticas, exigindo atenção dos produtores nas oportunidades de comercialização.











