O mercado global de açúcar fechou maio em um cenário de contrastes, com a pressão da oferta mundial se destacando. Enquanto as principais regiões exportadoras, como Brasil, Tailândia e China, registram altos volumes de produção, as bolsas internacionais reagiram a incertezas climáticas que podem afetar a safra em países produtores importantes.
No último dia de maio, as cotações do açúcar nas bolsas internacionais apresentaram uma leve recuperação, impulsionadas pela preocupação com o clima na Índia e os possíveis impactos do fenômeno El Niño. Apesar desse movimento positivo, o balanço mensal ainda foi negativo, refletindo a expectativa de ampla disponibilidade da commodity no mercado global.
Recuperação nas bolsas internacionais
Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros de açúcar bruto mostraram valorização, com o vencimento de julho/2026 encerrando a R$ 14,06 por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco também teve ganhos, com o contrato de agosto/2026 sendo negociado a US$ 438,20 por tonelada, indicando uma leve recuperação diante das incertezas climáticas.
Essas oscilações nos preços refletem a revisão das previsões de chuvas na Índia, que geraram preocupações sobre a produtividade da cana-de-açúcar. A expectativa de menos precipitações levou investidores a realizar movimentos de recompra, embora o cenário geral ainda seja de pressão pela oferta abundante.
Oferta global e seus impactos
O aumento da produção no Brasil e safras acima do esperado na Tailândia e na China foram os principais fatores que pressionaram os preços do açúcar. No Centro-Sul brasileiro, a produção de açúcar cresceu 109,48% na segunda quinzena de abril, totalizando 1,8 milhão de toneladas, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).
Além disso, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) revisou suas projeções, aumentando a estimativa de excedente global para 2,244 milhões de toneladas na safra 2025/26. Isso indica que, no curto prazo, o mercado deve continuar abastecido, o que pode impactar diretamente os preços e a rentabilidade dos produtores.
Influência do petróleo no mercado
A volatilidade dos preços do petróleo também teve um papel relevante no desempenho do açúcar. Com a queda do petróleo, a competitividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis diminui, o que pode levar as usinas a direcionarem mais cana para a produção de açúcar, aumentando ainda mais a oferta.
No mercado interno, a pressão da safra 2026/27 continua a ser sentida. O preço do açúcar cristal branco em São Paulo caiu 0,90% no último pregão de maio, refletindo a maior disponibilidade do produto e um ritmo moderado nas negociações. Essa situação pode impactar tanto o produtor, que vê suas margens reduzidas, quanto o consumidor, que pode se beneficiar de preços mais acessíveis.
Nos próximos meses, as condições climáticas nas principais regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, devem ser monitoradas de perto. Qualquer perda significativa nas lavouras pode alterar o atual cenário de abundância e influenciar as cotações internacionais, destacando a importância de um acompanhamento constante das variáveis que afetam o agronegócio.











