O presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, uma análise sobre os possíveis impactos negativos que a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pode causar a empresas e bancos brasileiros. A reunião ocorreu nesta segunda-feira, 1º de junho, no Palácio da Alvorada.
Durigan destacou que a principal preocupação do governo brasileiro é o efeito que essas medidas externas podem ter sobre a soberania econômica e a estabilidade das instituições do país. O ministro enfatizou que é fundamental evitar prejuízos que não sejam baseados em realidades concretas.
O ministro mencionou que o governo teme que a “discricionariedade” do governo de Donald Trump possa gerar consequências indesejadas para a economia brasileira. “Precisamos combater as organizações criminosas, mas sem que isso resulte em danos irreais à nossa economia”, afirmou Durigan.
Abertura ao diálogo
Durigan expressou interesse em dialogar com autoridades dos Estados Unidos sobre a classificação das facções como terroristas. No entanto, ele afirmou que ainda não há reuniões agendadas com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
“Estou sempre aberto a reuniões. Tenho contato direto com as autoridades norte-americanas, mas, por enquanto, não há nada agendado. Estamos reunindo informações e avaliando os próximos passos”, declarou o ministro.
Além disso, Durigan mencionou que o governo está realizando diagnósticos para entender melhor a situação e que, assim que tiver uma posição clara, levará as informações a Bessent.
Proteção ao setor produtivo
O ministro reafirmou que a prioridade do governo é proteger empresários, empregos e instituições financeiras brasileiras de interferências externas que possam prejudicar o desenvolvimento nacional. “O que vier do exterior para ajudar no combate ao crime organizado é bem-vindo, mas não podemos aceitar ações que atrapalhem”, ressaltou.
Para mitigar riscos, a Fazenda está em diálogo com empresários de diversos setores, buscando entender suas vulnerabilidades e preocupações. Essa interação é essencial para a formulação de estratégias que protejam a economia brasileira.
Além das questões relacionadas aos EUA, Durigan também discutiu com Lula a agenda internacional de investimentos do Brasil. No final deste mês, ele viajará para a China e o Japão para apresentar o programa Eco Invest Brasil, que visa atrair recursos internacionais para investimentos sustentáveis no país.











