O crime digital evoluiu e agora opera como uma indústria global, segundo Luciano Simão, Chief Information Security Officer (CISO) da Claranet Brasil. A combinação de inteligência artificial e modelos de “cybercrime as a service” tem ampliado a escala e a sofisticação dos ataques cibernéticos, tornando-os mais acessíveis a criminosos de diferentes níveis de habilidade.
De acordo com Simão, a profissionalização do cibercrime fez com que ataques deixassem de ser realizados por indivíduos isolados. Hoje, eles seguem uma lógica empresarial, com processos escaláveis e automação, permitindo que qualquer pessoa, com um investimento relativamente baixo, se torne um hacker.
O impacto da inteligência artificial no cibercrime
O modelo “cybercrime as a service” facilita o acesso a ferramentas como kits de ransomware e plataformas de phishing, disponíveis na dark web. Isso significa que ataques sofisticados podem ser realizados mesmo por aqueles que não possuem um conhecimento técnico aprofundado.
O Brasil se destaca em números alarmantes: mais de 314 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos foram registradas no primeiro semestre de 2025, representando 84% das ocorrências na América Latina. O país ocupa a posição de um dos mais atacados do mundo, com uma média de 3.520 ataques por semana, bem acima da média global.
Os custos associados a essas violações de segurança são elevados. O custo médio de um incidente no Brasil já ultrapassa R$ 7 milhões, e os pagamentos de resgate podem alcançar cifras milionárias. Uma pesquisa da Sophos revela que 73% das empresas entrevistadas já foram vítimas de ransomware.
A inteligência artificial é um fator crucial na aceleração dessa transformação. Ferramentas baseadas em IA aumentam a velocidade e a eficiência dos ataques, permitindo campanhas automatizadas e phishing personalizado. Simão destaca que a IA reduziu drasticamente o tempo necessário para estruturar um ataque, que antes levava semanas e agora pode ser realizado em minutos.
O Brasil, com sua alta digitalização e adoção do Pix, apresenta um ambiente atrativo para o crime digital. A combinação de um alto volume transacional e defesas em evolução cria uma superfície de ataque ampla, tornando o país um alvo preferencial para grupos criminosos.
Para enfrentar esse cenário, Simão enfatiza a necessidade de as empresas acelerarem sua maturidade em cibersegurança. É fundamental tratar a segurança como uma prioridade estratégica, incorporando inteligência artificial na defesa e promovendo a colaboração entre setor privado, governo e reguladores.











