A proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros gerou uma mudança no discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Após sua recente viagem a Washington, onde se destacou a proximidade com o presidente Donald Trump, o pré-candidato ao Palácio do Planalto agora tenta se desvincular de possíveis sanções comerciais ao Brasil.
Em entrevista à Rádio Itatiaia nesta terça-feira, 2 de junho, Flávio afirmou ter solicitado a Trump e a membros do governo americano que não aplicassem tarifas sobre empresas brasileiras. “Nas três reuniões que nós tivemos, pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras”, declarou o senador.
Contexto da Proposta Tarifária
Flávio Bolsonaro ressaltou que a proposta anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ainda não está em vigor. O senador defendeu que o governo Lula (PT) utilize o período de consultas públicas para negociar com Washington, visando proteger as empresas brasileiras.
“Lula tem mais esse tempo para ir lá e negociar, para defender as empresas brasileiras”, afirmou Flávio, enfatizando a importância de ações diplomáticas nesse momento. As declarações contrastam com a comunicação de sua pré-campanha, onde o senador se apresentou como um interlocutor privilegiado entre Brasil e Estados Unidos.
A reunião com Trump ganhou destaque, especialmente após Flávio solicitar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, medida que foi oficializada por Washington dois dias depois. Essa ação foi vista como um esforço para estreitar laços com a administração americana.
Com a nova ameaça tarifária, o foco do discurso de Flávio mudou para a defesa das empresas brasileiras. Ele atribuiu a responsabilidade pela deterioração das relações bilaterais ao presidente Lula, afirmando que a medida teria um viés político contra o governo petista.
A movimentação ocorre em um momento delicado para a pré-campanha de Flávio, especialmente após a revelação de mensagens que envolvem repasses de dinheiro. A proximidade com Trump é considerada um ativo eleitoral, mas a proposta de sobretaxa pode gerar desgaste ao associar um dos principais parceiros internacionais do senador a uma medida prejudicial para a economia nacional.











