O mercado brasileiro de etanol enfrentou uma queda significativa de 14% em maio, impulsionada pelo aumento da oferta no Centro-Sul e pela decisão das usinas de priorizar a produção de biocombustíveis. Essa retração nos preços reflete a dinâmica da safra 2026/27, que trouxe maior disponibilidade do produto no mercado.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que tanto o etanol hidratado quanto o anidro sofreram uma queda acentuada nos preços. Essa situação é resultado do perfil mais alcooleiro das usinas, que, diante das condições de mercado, optaram por aumentar a produção de etanol em detrimento do açúcar.
Maior oferta pressiona mercado
Pesquisadores do Cepea apontam que a ampliação da oferta foi o principal fator que pressionou os preços para baixo. Mesmo com as chuvas que interromperam a colheita na segunda quinzena de maio, o volume de cana disponível continuou elevado, influenciando as negociações no setor.
Além disso, muitas usinas intensificaram sua participação no mercado spot, o que aumentou a liquidez e reforçou a tendência de queda nos preços. Essa estratégia, embora arriscada, foi adotada por várias empresas em busca de maior competitividade.
Necessidade financeira impulsiona vendas
O cenário desafiador para o mercado de etanol e açúcar levou algumas usinas a acelerar as vendas para garantir a geração de caixa. Com preços menos atrativos, a concorrência entre os vendedores aumentou, resultando em uma pressão adicional sobre os preços.
Enquanto algumas empresas adotaram uma postura cautelosa, limitando as vendas para tentar sustentar os preços, outras não hesitaram em comercializar maiores volumes no curto prazo, intensificando a competição no mercado.
Distribuidoras pressionam por valores menores
A demanda também teve um papel importante na pressão sobre os preços. Distribuidoras atuaram de forma mais agressiva nas negociações, buscando adquirir o etanol a preços menores. Em várias regiões, especialmente em São Paulo, os negócios foram fechados em patamares inferiores aos praticados anteriormente.
Essa combinação de oferta elevada e demanda cautelosa ampliou a pressão sobre os preços ao longo de maio, criando um ambiente desafiador para os produtores e distribuidores.
Com a safra 2026/27 em andamento, o mercado continua atento às condições climáticas e ao ritmo da moagem. Especialistas destacam que fatores como os preços do açúcar no mercado internacional e a demanda por combustíveis serão cruciais para a formação dos preços do etanol nos próximos meses, mantendo o Centro-Sul como principal vetor de influência no setor de biocombustíveis.











