O mercado do açúcar inicia junho sob a influência de uma safra recorde no Brasil e preocupações climáticas globais. Enquanto a produção nacional avança, os preços internos enfrentam pressão, enquanto as incertezas sobre o clima em regiões como a Índia oferecem suporte às cotações internacionais.
Os preços do açúcar cristal no Brasil apresentaram uma queda significativa em maio, refletindo o aumento da moagem da safra 2026/27 no Centro-Sul. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam uma retração de 5% no Indicador CEPEA/ESALQ, evidenciando a cautela dos compradores diante da expectativa de maior oferta.
Safra brasileira e suas consequências
A safra brasileira de açúcar se destaca com números impressionantes. Até o início de maio, as usinas do Centro-Sul produziram 2,475 milhões de toneladas, um aumento de 55,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa robustez na produção solidifica o Brasil como um dos principais fornecedores globais, impactando diretamente os preços no mercado interno.
Apesar da pressão interna, os contratos futuros do açúcar nas bolsas internacionais iniciaram junho em alta. Na Bolsa de Nova York, o contrato de julho/2026 do açúcar bruto fechou a 14,45 centavos de dólar por libra-peso, com uma valorização de 2,77%. Esse movimento é impulsionado pela recuperação dos preços do petróleo e pelas preocupações com a oferta global.
O aumento das cotações do petróleo também afeta o mercado sucroenergético. Com a energia mais cara, a produção de etanol se torna mais atrativa, reduzindo a quantidade de cana destinada ao açúcar. Essa dinâmica pode oferecer suporte aos preços da commodity, refletindo a interdependência entre os mercados de açúcar e etanol.
As preocupações climáticas, especialmente na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, são um fator crucial a ser monitorado. Projeções indicam uma possível monção enfraquecida em 2026, o que pode impactar a produtividade dos canaviais indianos. Qualquer redução na produção pode afetar a oferta global e impulsionar novas altas nas cotações.
Após um mês de perdas, o mercado físico brasileiro mostra sinais de recuperação. O indicador do açúcar cristal branco em São Paulo registrou uma valorização de 1,37% no primeiro pregão de junho, com a saca de 50 quilos sendo negociada a R$ 94,27. Essa recuperação, embora ainda modesta, sugere que os preços podem encontrar suporte nas próximas semanas.
Com a safra brasileira avançando e os riscos climáticos no radar, o mercado do açúcar entra em um período de transição. A evolução do fenômeno El Niño e o comportamento das monções asiáticas serão determinantes para o equilíbrio entre oferta e demanda, impactando diretamente os preços nos próximos meses.











