Os custos da produção de leite no Rio Grande do Sul voltaram a subir em abril de 2026, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores. O aumento de 2,69% no Índice de Insumos para Produção de Leite Cru (ILC) foi impulsionado principalmente pelos preços elevados de fertilizantes, energia elétrica e combustíveis.
As tensões geopolíticas no Oriente Médio continuam a afetar os mercados globais, especialmente no que diz respeito à energia e aos fertilizantes. Essa situação tem gerado uma pressão significativa sobre os custos das propriedades rurais, exigindo que os produtores fiquem atentos às suas finanças.
Fertilizantes e energia elétrica em alta
O grupo de fertilizantes foi o principal responsável pela elevação do índice, com um aumento expressivo de 12,8%. A ureia, em particular, teve uma valorização significativa devido a dificuldades logísticas na rota do Estreito de Ormuz, crucial para o transporte de fertilizantes nitrogenados.
Além disso, a energia elétrica teve um aumento alarmante de 30,6%, refletindo mudanças nos horários de consumo e tarifas mais altas. Esses fatores, somados ao reajuste médio de 2,3% nos combustíveis, têm pressionado ainda mais os custos de produção.
Por outro lado, o cenário para a alimentação animal se mostrou mais equilibrado. O milho teve uma leve valorização de 0,3%, enquanto a soja apresentou uma queda de 1,0%, ajudando a limitar a pressão inflacionária sobre os custos de produção.
No acumulado do ano, o ILC já registra uma inflação de 1,06%, sinalizando uma mudança na trajetória dos custos. Apesar de algumas reduções nos custos de silagem e concentrados, a rentabilidade dos produtores segue comprometida pela queda no preço do leite, que recuou cerca de 10% nos últimos 12 meses.
Para maio, as expectativas são de inflação moderada nos custos da produção leiteira, com a estabilidade dos combustíveis e a valorização do real frente ao dólar ajudando a conter as pressões. No entanto, a atenção deve ser redobrada em relação ao comportamento dos fertilizantes e ao milho, que pode impactar os custos de alimentação animal.
Diante desse cenário desafiador, é fundamental que os produtores monitorem seus custos e adotem estratégias de eficiência produtiva. Isso é essencial para garantir a competitividade e a sustentabilidade econômica da atividade leiteira no estado.











