
A segunda fase da Operação Caminhos do Cobre, segundo a Polícia Civil, revela um esquema criminoso “extremamente organizado” entre empresários e traficantes do Comando Vermelho, para furtar cabos de concessionárias de serviços públicos. Investigações feitas pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) comprovaram que pessoas com habilidades técnicas no segmento de energia eram captadas para o trabalho de retirada de fios de subestações da cidade do Rio. A operação acontece na manhã desta quinta-feira, com apoio da Polícia Civil do Paraná. Sete pessoas foram presas — duas em flagrante.
De acordo com as investigações, o material levado era vendido para ferros-velhos e metalúrgicas no Rio e em São Paulo. A quadrilha desarticulada pelos agentes praticava ainda lavagem de dinheiro por meio de empresas reais e fictícias e contratos simulados.
Ao todo, 15 pessoas responsáveis pelo furto foram identificadas no trabalho investigativo que começou em novembro do ano passado. Como explica o delegado Jefferson Ferreira, titular da DRF, elas usavam uniformes de empresas do ramo para transmitir legalidade ao crime, além de apresentarem alvarás falsificados que as permitiam acessar as subestações.
— Essas pessoas eram escolhidas pelo conhecimento técnico em cobre e energia. Assim, elas eram capazes de evitar problemas que denunciem o crime, como choques ou danificando os materiais furtados — explica o delegado.
Para furtar o cobre, os criminosos entravam no cabo subterrâneo, retiravam os fios e os levavam para depósitos nas comunidades chefiadas pelo Comando Vermelho. Neles, o material era desencapado e fracionado. O produto final era transportado para outro depósito, onde era queimado para tirar vestígios de suas origens. Por fim, eram negociados com metalúrgicos de outras cidades, principalmente São Paulo.
Na operação desta quinta-feira, cerca de 200 toneladas de cobre foram apreendidas em apenas um depósito, chamado pela polícia de recicladora. Essa quantia representa prejuízo de aproximadamente R$ 10 milhões aos envolvidos.
Além disso, todo o valor arrecado com o crime era divido com o Comando Vermelho, que podia receber até 50% do lucro.