A guerra no Oriente Médio, desencadeada por um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel ao Irã, está intensificando a crise de fome global, segundo alerta da ONU. O fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo, está contribuindo para o aumento dos preços dos alimentos e da insegurança alimentar em diversas regiões do mundo.
Atualmente, cerca de 320 milhões de pessoas já enfrentam insegurança alimentar aguda. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) prevê que esse número pode aumentar em quase 45 milhões se a situação não se estabilizar rapidamente. O impacto econômico da guerra e a elevação do preço do petróleo, que pode ultrapassar os 100 dólares por barril, são fatores críticos nesse cenário.
Impactos globais e reflexos no Brasil
O aumento dos preços de produtos básicos, como arroz e trigo, pode afetar diretamente o Brasil, um dos maiores importadores de alimentos do mundo. A alta nos preços pode resultar em um aumento da inflação e na dificuldade de acesso a alimentos para as populações mais vulneráveis.
Jean-Martin Bauer, diretor do serviço de análise de segurança alimentar do PMA, destacou que o fechamento do Estreito de Ormuz está criando um “cenário negativo” que pode levar a uma crise de custo de vida semelhante à de 2022, quando a invasão russa na Ucrânia já havia causado grandes perturbações no comércio global.
Além disso, o PMA está se preparando para uma possível “ruptura de fornecimento” nos próximos meses, o que significa que a distribuição de alimentos pode ser severamente comprometida. Essa situação é alarmante, especialmente para crianças vulneráveis, que são as mais afetadas pela fome.
A organização estima que, se a guerra persistir por mais seis meses, mais de nove milhões de pessoas poderão ficar sem assistência alimentar. A situação exige atenção global e ações coordenadas para mitigar os impactos da crise e garantir a segurança alimentar em diversas regiões, incluindo o Brasil.











