A forte desvalorização dos contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) impactou diretamente o mercado brasileiro, resultando em uma paralisação das negociações. Apesar da valorização do dólar em relação ao real, a queda nas cotações internacionais diminuiu o interesse dos agentes do mercado, levando a uma comercialização lenta nas principais regiões produtoras do país.
O feriado da última quinta-feira também contribuiu para a baixa liquidez do mercado. Como consequência, os preços da soja permaneceram praticamente inalterados nas principais praças de comercialização, refletindo a incerteza do setor.
Preços da soja se mantêm estáveis no Brasil
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos foi cotada a R$ 126,00, enquanto em Cascavel (PR) o valor ficou em R$ 121,00. Em Rondonópolis (MT), a referência se manteve em R$ 110,00, e no Porto de Paranaguá (PR), importante para as exportações, a cotação se estabilizou em R$ 132,00 por saca.
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja com vencimento em julho acumularam perdas superiores a 5% na semana, atingindo US$ 11,26 por bushel, o menor nível desde fevereiro. Essa pressão sobre os preços está ligada a condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos, que favorecem o desenvolvimento das lavouras e aumentam as expectativas de uma safra cheia.
Além disso, a produção robusta de soja no Brasil e na Argentina amplia a disponibilidade global da commodity, intensificando a pressão sobre os preços internacionais. A demanda chinesa, que ainda não se recuperou plenamente, limita o potencial de recuperação das cotações, gerando um ambiente cauteloso entre os investidores.
Fatores que podem influenciar o mercado
Nos próximos dias, dois fatores devem ser observados com atenção: o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado em 11 de junho, e as tensões geopolíticas no Oriente Médio, que continuam a gerar volatilidade nos mercados financeiros.
Embora o dólar tenha se valorizado cerca de 1,4% frente ao real, alcançando R$ 5,12, essa alta não foi suficiente para compensar as perdas externas. O mercado doméstico permanece paralisado, com poucas alterações nos preços da soja, refletindo a fragilidade do cenário atual.











