O seguro rural tem se destacado como uma ferramenta essencial para a proteção do agronegócio no Brasil, especialmente em um cenário de mudanças climáticas e eventos extremos. Um estudo recente do Observatório do Crédito e Seguro Rural (OCSR), vinculado ao FGV Agro, revela que, apesar do reconhecimento internacional, o Brasil ainda precisa avançar em previsibilidade e gestão de riscos no setor.
A pesquisa “Seguro Rural pelo Mundo: Regulação e Políticas Comparadas” analisou modelos de seguro rural em países como Estados Unidos, Espanha, Índia e México. Os resultados apontam diferentes estratégias que podem ser adotadas para fortalecer o sistema brasileiro, que ainda enfrenta desafios significativos para ampliar sua cobertura.
Modelos internacionais e suas lições
Nos Estados Unidos, por exemplo, a cobertura de seguro rural é exemplar, atingindo cerca de 90% da área produtiva. O modelo americano combina a atuação do setor privado com forte apoio governamental, o que garante maior adesão dos produtores e estabilidade financeira ao setor.
Na Espanha, a colaboração entre o governo e as seguradoras tem sido fundamental para o sucesso do seguro rural. A abordagem público-privada se destaca pela previsibilidade institucional e governança compartilhada, elementos que o Brasil pode considerar para aprimorar seu sistema.
A Índia, por sua vez, foca na inclusão de pequenos agricultores, com o governo assumindo parte significativa dos custos dos prêmios. Embora o modelo tenha alcançado milhões de produtores, ainda enfrenta desafios operacionais que precisam ser superados para garantir sua eficácia.
O estudo também destaca o caso do México, onde a redução de subsídios levou a uma queda drástica na cobertura de seguros, evidenciando a importância do apoio governamental. Já na Argentina, a dependência de medidas emergenciais para lidar com eventos climáticos mostra a fragilidade do sistema atual.
Desafios e recomendações para o Brasil
Os pesquisadores do OCSR enfatizam que o seguro rural deve ser tratado como uma política pública estratégica. Para isso, é necessário construir um ambiente institucional robusto, com regras claras e a participação ativa das seguradoras. A expansão da cobertura deve ser gradual, priorizando os riscos climáticos mais relevantes e os pequenos produtores.
Um dos principais entraves identificados é a falta de previsibilidade orçamentária, que dificulta o planejamento das seguradoras e encarece os custos. Além disso, a criação de um fundo catastrófico para eventos extremos é considerada uma prioridade, visando garantir maior resiliência e segurança econômica ao agronegócio brasileiro.
Com a crescente frequência de eventos climáticos adversos, fortalecer o seguro rural é um passo fundamental para assegurar a sustentabilidade e a segurança financeira dos produtores. A integração de políticas e a colaboração entre o setor público e privado são essenciais para o desenvolvimento de um sistema eficiente de gestão de riscos no Brasil.











