O mercado do trigo no Brasil se mantém firme, apesar da pressão de queda nas cotações internacionais, especialmente na Bolsa de Chicago. A combinação de estoques ajustados e a crescente necessidade de importações estão sustentando os preços internos, enquanto a colheita no Hemisfério Norte avança, aumentando a oferta global.
De acordo com análises da TF Agroeconômica, a situação atual exige cautela dos produtores e agentes do setor. Em vez de se deixar levar pelas oscilações do mercado externo, é essencial que cooperativas e moinhos adotem uma gestão estratégica de vendas e compras, considerando a volatilidade climática e cambial.
Impacto da Colheita Global no Mercado Brasileiro
A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) registrou quedas significativas, com o contrato de julho fechando a US$ 5,80 por bushel. Essa desvalorização é impulsionada pela expectativa de uma safra abundante, especialmente na Rússia e na Argentina, que pode afetar as cotações internacionais e, consequentemente, o mercado brasileiro.
No entanto, o cenário interno é diferente. Os estoques de trigo no Brasil estão baixos e a nova safra ainda não chegou em volume suficiente, o que mantém os preços domésticos relativamente estáveis. Para os produtores que ainda têm trigo da safra anterior, a recomendação é negociar com firmeza, aproveitando as condições favoráveis do mercado interno.
Regiões como o Rio Grande do Sul estão vendo uma leve valorização, com preços em torno de R$ 1.350 a R$ 1.400 por tonelada. A disponibilidade de trigo é considerada insuficiente para atender a demanda até a próxima safra, prevista para novembro, o que pode garantir uma sustentação adicional aos preços.
Em Santa Catarina, o mercado permanece estável, enquanto no Paraná as negociações são limitadas, com preços próximos de R$ 1.500 por tonelada. A pressão sobre o mercado de farinha tem dificultado a valorização do trigo, refletindo a necessidade de uma gestão cuidadosa por parte dos moinhos.
Com a possibilidade de aumento nas importações chinesas, o mercado deve continuar atento às oscilações internacionais. Especialistas recomendam que cooperativas e cerealistas aproveitem momentos de pressão em Chicago para reforçar suas coberturas e monitorar a qualidade das lavouras.
O segundo semestre de 2026 promete ser desafiador, com a combinação de estoques ajustados e incertezas climáticas. A gestão comercial estratégica será fundamental para que produtores e agentes do setor consigam navegar por esse cenário complexo e garantir a sustentabilidade de suas operações.











