A agricultura de precisão e o manejo do solo têm se mostrado essenciais para ajudar produtores a reduzir perdas climáticas e aumentar a estabilidade na produção de soja e milho. Nos últimos anos, o Brasil enfrentou uma série de fenômenos climáticos extremos, como a alternância entre La Niña e El Niño, que impactaram diretamente a produtividade agrícola.
Com o aumento dos custos dos seguros agrícolas e a desvalorização de grãos, muitos agricultores estão mais vulneráveis financeiramente. Nesse cenário, a adoção de tecnologias e práticas de manejo se torna crucial para minimizar riscos e garantir a sustentabilidade das lavouras.
Manejo do solo e plantas de cobertura reduzem impactos da seca
Embora os produtores não possam controlar o clima, eles podem adotar práticas de manejo que ajudam a mitigar os efeitos da irregularidade das chuvas. Em Brasilândia do Sul, no Paraná, o produtor Agnaldo Leite tem utilizado o cultivo de milho em consórcio com crotalária e braquiária desde 2018, em uma área de 275 hectares.
Essa técnica visa melhorar a estrutura do solo e aumentar sua capacidade de retenção de umidade, especialmente em solos com textura mista. As plantas de cobertura são semeadas junto com o milho, garantindo palhada após a colheita e contribuindo para a manutenção da umidade do solo durante o cultivo da soja.
Além disso, a crotalária ajuda no controle de nematoides e na reciclagem de nutrientes, favorecendo a disponibilidade de fósforo e potássio para as culturas subsequentes.
Agricultura de precisão amplia eficiência no uso de insumos
A agricultura de precisão também é um pilar importante na propriedade de Agnaldo. O uso de uma plantadeira de taxa variável permite a aplicação de fertilizantes de acordo com as necessidades específicas do solo, evitando desperdícios e melhorando a eficiência no uso de insumos.
Com essa abordagem, a fertilidade do solo é recuperada ao longo do tempo, resultando em uma produtividade mais estável. O engenheiro agrônomo Mateus Delai, da C.Vale, destaca que essas práticas têm contribuído significativamente para a evolução da propriedade.
Os resultados já são visíveis: a combinação de manejo integrado e tecnologia transformou a qualidade do solo, permitindo que a produtividade de soja e milho se tornasse mais consistente, mesmo diante das variações climáticas.
Com a crescente instabilidade climática, especialistas indicam que a adoção de práticas como a agricultura de precisão e o uso de plantas de cobertura se tornará ainda mais relevante nos próximos anos. Embora essas estratégias não eliminem os impactos climáticos, elas ajudam a reduzir perdas e aumentar a resiliência dos sistemas agrícolas, garantindo a sustentabilidade econômica no campo brasileiro.











