O preço do etanol hidratado nas usinas de São Paulo caiu novamente, aproximando-se dos custos de produção, conforme aponta análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Essa queda, embora menos intensa do que a observada nos meses anteriores, reflete um cenário de maior oferta e competitividade entre etanol e açúcar.
Na última semana, o etanol hidratado teve uma redução de 0,67%, sendo comercializado a R$ 2,2166 por litro. Este é o menor valor registrado desde março de 2024, e desde o início de março, a desvalorização acumulada chega a 25% nas usinas paulistas.
Impactos da Aumento da Oferta no Setor
A retração nos preços é impulsionada pelo aumento da moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul e pela maior destinação da matéria-prima para a produção de etanol. Com o açúcar apresentando preços limitados, as usinas estão priorizando o biocombustível.
Além disso, a produção de etanol de milho também tem contribuído para a pressão sobre os preços. O Cepea indica que, com a combinação desses fatores, a expectativa é de uma produção recorde em 2026, o que pode manter os preços pressionados no médio prazo.
No início da safra, a moagem de cana cresceu cerca de 34%, enquanto a produção de etanol avançou 46,7%. Esse aumento na oferta pode impactar diretamente a rentabilidade dos produtores, que enfrentam margens mais apertadas.
Desafios para as Usinas
Com a queda acentuada dos preços, as usinas estão operando próximas do ponto de equilíbrio. Muitas delas têm adotado uma postura mais cautelosa, reduzindo a participação no mercado spot e aguardando uma possível recuperação nos preços.
Essa estratégia visa evitar vendas em níveis considerados pouco remuneradores, refletindo a necessidade de uma gestão mais cuidadosa em um ambiente desafiador para o setor sucroenergético.
O etanol anidro, utilizado na mistura com gasolina, também registrou queda, com uma média de R$ 2,5108 por litro, o que reforça a tendência de enfraquecimento do mercado de combustíveis derivados da cana-de-açúcar.
O comportamento dos preços nos próximos dias deve continuar atrelado ao ritmo da moagem de cana e à competitividade com o açúcar. Com uma oferta elevada e demanda estável, o mercado deve permanecer sensível a ajustes de curto prazo, exigindo atenção dos produtores e usinas para navegar neste cenário desafiador.











