O mercado de trigo no Brasil apresenta uma valorização significativa, impulsionada pela oferta restrita e pela recuperação nas cotações internacionais. Na Região Sul, a baixa disponibilidade da safra passada tem mantido os preços elevados, enquanto os contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT) registram alta, refletindo um movimento técnico após quedas recentes.
A escassez de estoques no Brasil, somada aos custos logísticos e ao monitoramento das safras do Hemisfério Norte, mantém a atenção de produtores, moinhos e investidores. Essa situação pode impactar diretamente a cadeia produtiva e os preços finais para o consumidor.
Escassez de oferta fortalece preços no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, a situação é crítica, com estoques de trigo estimados em apenas 190 mil toneladas, insuficientes para suprir a demanda até a próxima safra, prevista para novembro. Com o trigo argentino sendo comercializado a US$ 300 por tonelada, os moinhos locais elevaram suas referências de compra para o trigo gaúcho, que já alcança R$ 1.400 por tonelada em algumas negociações.
Os preços no mercado CIF variam de R$ 1.480 a R$ 1.500 por tonelada para trigo de melhor qualidade, enquanto o trigo branqueador é negociado entre R$ 1.450 e R$ 1.480. Para a nova safra, as expectativas de preço giram em torno de R$ 1.250 por tonelada FOB.
Santa Catarina e Paraná: cenários distintos
Em Santa Catarina, o mercado se mantém estável, com preços variando entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB. A ausência de fatores de pressão e a oferta equilibrada contribuem para essa estabilidade, mas o frete começa a influenciar os preços finais.
No Paraná, as cotações apresentaram leve recuo, devido a compras anteriores a preços mais baixos e à chegada de trigo importado. As ofertas na região variam entre R$ 1.320 e R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto o trigo gaúcho é negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.450.
Recuperação técnica em Chicago e suas implicações
No cenário internacional, os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago estão em recuperação, com o contrato de julho sendo negociado a US$ 5,94 por bushel. Essa alta, embora positiva, é limitada pela ampla oferta global, especialmente com a colheita de trigo de inverno avançando nos Estados Unidos.
Os analistas destacam que a recuperação atual é impulsionada por fatores técnicos, enquanto o mercado continua a avaliar as quantidades que chegarão ao mercado internacional nas próximas semanas. A atenção dos agentes do setor está voltada para o desenvolvimento da safra de inverno no Brasil, que é crucial para o potencial produtivo das lavouras.
Com estoques apertados e uma recuperação técnica em Chicago, o mercado de trigo vive um momento de atenção redobrada. A evolução das lavouras e os sinais do cenário global serão determinantes para o futuro da cadeia produtiva e para os preços que chegarão ao consumidor.











