O preço do chocolate permanece elevado neste Dia dos Namorados, mesmo com a recente queda das cotações do cacau no mercado internacional. Os consumidores que buscam presentear com chocolates premium enfrentam preços mais altos, refletindo uma realidade complexa no setor.
De acordo com Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, os preços do cacau nos mercados futuros caíram significativamente em comparação aos recordes de 2024. Enquanto o contrato na Bolsa de Nova York chegou a US$ 12,5 mil por tonelada, atualmente os valores estão entre US$ 3 mil e US$ 4 mil por tonelada, indicando uma normalização.
Queda do cacau demora a chegar às prateleiras
Apesar da redução nos preços internacionais, essa mudança ainda não se reflete nas prateleiras dos supermercados. A indústria do chocolate adotou diversas estratégias durante a alta dos preços, como reformulação de produtos e reajustes, que dificultam a rápida adaptação ao novo cenário.
Além disso, a indústria opera com estoques e contratos de longo prazo, o que retarda o repasse das oscilações de preços ao consumidor final. Bezzon explica que a absorção das mudanças nos custos pode levar de oito a doze meses, prolongando a sensação de encarecimento.
Incertezas climáticas mantêm setor em alerta
Outro fator que mantém os preços elevados é a cautela da indústria em relação às incertezas climáticas que afetam a produção mundial de cacau. Eventos climáticos adversos podem impactar a oferta, especialmente em países africanos, que são responsáveis pela maior parte da produção global.
No Brasil, as condições climáticas também influenciam as expectativas do mercado, à medida que o país busca aumentar sua participação na produção de cacau. Essa incerteza faz com que os fabricantes adotem uma postura conservadora na retomada dos padrões de produção.
Chocolates premium continuam pressionados
Os chocolates premium, muito procurados em datas comemorativas, são os mais afetados por essa combinação de fatores. Apesar da queda nas cotações internacionais, o receio de novas oscilações mantém os preços elevados, resultando em produtos de maior qualidade chegando ao consumidor com custos superiores aos anteriores à crise.
A trajetória recente do cacau sugere um movimento de acomodação após um período de alta volatilidade. Embora os preços atuais indiquem um cenário mais equilibrado, a normalização completa dependerá da recomposição dos estoques globais e da estabilidade climática nas regiões produtoras.











