O mercado de trigo enfrenta pressão devido à ampla oferta global, o que tem dificultado a valorização dos preços e mantido os compradores em uma posição confortável. No Brasil, as negociações seguem lentas, especialmente na Região Sul, onde moinhos monitoram estoques e a demanda por farinha.
De acordo com a TF Agroeconômica, a atenção dos investidores está voltada para o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Esse documento pode trazer ajustes significativos para a produção global de grãos, impactando as cotações nas próximas semanas.
Oferta mundial elevada pressiona o mercado de trigo
As condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras do Hemisfério Norte indicam uma safra robusta em 2026. Na Europa, o trigo francês se mostra competitivo, mas enfrenta dificuldades para aumentar suas exportações devido à forte concorrência global.
Na América do Sul, a Argentina também contribui para o aumento da oferta. A Bolsa de Cereais de Rosário elevou sua estimativa para a próxima safra de trigo argentino para 20 milhões de toneladas, o que reforça as expectativas de maior disponibilidade na região.
Esses fatores combinados mantêm a pressão sobre os preços internacionais, limitando a possibilidade de valorização no curto prazo. Além do trigo, os mercados de soja e milho também apresentam oscilações moderadas, influenciados por um cenário de oferta confortável.
Mercado brasileiro de trigo avança lentamente
No Brasil, o mercado de trigo é caracterizado por negociações pontuais e baixa liquidez, especialmente nos estados do Sul. No Rio Grande do Sul, os preços do trigo tiveram uma leve recuperação, com indicações variando entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB.
Apesar dessa leve alta, a demanda por farinha continua fraca, dificultando reajustes mais significativos por parte dos moinhos. A disponibilidade atual no estado é estimada em cerca de 190 mil toneladas, volume considerado insuficiente para atender o mercado até a nova safra, prevista para novembro.
Com a expectativa voltada para as atualizações do USDA, o mercado permanece cauteloso. A elevada disponibilidade global de grãos e a administração dos estoques internos continuam a influenciar as negociações no Brasil, que operam de forma seletiva.











