As exportações do Brasil para os Estados Unidos enfrentam um cenário desafiador em 2026, com uma queda de 16% nos embarques entre janeiro e maio, totalizando US$ 14,01 bilhões. Este é o menor valor registrado para o período desde 2022, refletindo uma tendência de retração que já dura dez meses consecutivos.
Os dados, extraídos do Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos, revelam que a diminuição nas vendas foi impulsionada principalmente pela queda nas exportações de petróleo bruto, café e ferro-gusa. Em maio, as vendas de petróleo bruto caíram 38,1%, enquanto o café não torrado registrou uma retração de 39,1%, afetado por problemas de oferta e produção.
Impactos nas exportações e na economia
Além das commodities, as sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos continuam a pressionar setores industriais brasileiros. Em maio, as exportações de produtos sujeitos a tarifas adicionais caíram 14,6%, com destaque para os caminhões, cujas vendas despencaram 47,6%. No acumulado do ano, esses produtos enfrentaram uma retração de 22,6%.
Apesar do panorama negativo, alguns setores se destacam positivamente. As exportações de carne bovina aumentaram 36% no mesmo período, alcançando US$ 973,4 milhões. O setor aeronáutico também apresentou crescimento, com um aumento de 24,4% nas vendas de aeronaves e equipamentos relacionados.
O déficit comercial brasileiro com os Estados Unidos aumentou 43,3%, atingindo US$ 1,5 bilhão nos primeiros cinco meses de 2026. As importações do país somaram US$ 15,48 bilhões, uma queda de 12,6%, influenciada pela redução nas compras de motores, máquinas e petróleo bruto.
Para o agronegócio, os números são preocupantes, especialmente com a queda nas exportações de café e suco de laranja, que recuaram 38% e 53%, respectivamente. No entanto, a carne bovina se destaca como um ponto positivo, ajudando a compensar as perdas em outras cadeias do setor.
A perspectiva para o comércio bilateral permanece desafiadora. A continuidade das sobretaxas e a desaceleração da demanda norte-americana exigem cautela dos exportadores brasileiros. A recuperação do comércio dependerá de um ambiente internacional mais favorável e da competitividade dos produtos brasileiros no mercado global.











