A cinebiografia Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou polêmica ao revelar que seu custo total chegou a aproximadamente 13,3 milhões de dólares, o que equivale a mais de 75 milhões de reais. A informação foi apresentada pela produtora Go Up Entretenimento em uma petição à Justiça de São Paulo, no contexto de uma investigação sobre possíveis desvios de recursos públicos.
O Instituto Conhecer Brasil, vinculado à produtora, está sob investigação devido a um contrato de 108 milhões com a prefeitura de São Paulo. A operação da Polícia Civil, que ocorreu na semana passada, visou a produtora e sua representante, Karina Gama, levantando questões sobre a origem dos recursos utilizados na produção do filme.
Despesas e Orçamento
O relatório financeiro detalha que as despesas incluem 54,2 milhões de reais gastos nos Estados Unidos e quase 21 milhões de reais no Brasil. O filme, que deve ser lançado no segundo semestre de 2026, foi filmado em diversas cidades brasileiras e conta com a participação de atores internacionais, como Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro.
O orçamento inicial aprovado para a produção era de 16 milhões de dólares, mas o valor final é 44,8 milhões de reais inferior ao montante que teria sido negociado pelo senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro em 2025. Essa discrepância financeira levanta questões sobre a transparência e a legalidade do financiamento do projeto.
O relatório de gastos apresenta uma divisão detalhada dos custos, incluindo desenvolvimento, pré-produção e filmagens, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. A perícia também confirmou que os recursos financeiros utilizados têm origem privada, respaldada por contratos e registros financeiros.
Até 10 de junho, o fundo Heavengate Development Fund LP havia transferido 13,3 milhões de dólares para a produção. No Brasil, os valores foram recebidos por meio de uma conta no Banco do Brasil, com a maior parte das transações realizadas via Pix.
A investigação da Polícia Federal se concentra no uso do fundo Heavengate e sua relação com o advogado Paulo Calixto, que representa o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. O desdobramento desse caso pode impactar não apenas a produção do filme, mas também a reputação de figuras políticas envolvidas.











