O mercado global da soja se prepara para uma safra 2026/27 marcada por uma oferta recorde, o que pode pressionar os preços da commodity. Essa análise é parte do relatório Agro Mensal de junho, elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um cenário de produção crescente nos principais países produtores, mas com uma demanda que ainda não é suficiente para equilibrar as cotações internacionais.
O Brasil e os Estados Unidos devem aumentar significativamente a produção, elevando a disponibilidade mundial da soja. Essa situação cria um ambiente de maior competição entre os exportadores, exigindo que os produtores brasileiros fiquem atentos às estratégias de comercialização para a próxima safra.
Expectativas de Produção e Demanda
As projeções indicam que a produção global de soja deve atingir 441 milhões de toneladas, com o Brasil contribuindo com 186 milhões e os Estados Unidos com 121 milhões. O crescimento do esmagamento mundial de soja também deve impulsionar a produção de farelo e óleo, garantindo suporte à demanda por esses produtos.
A China continua sendo um fator crucial para o mercado, com a expectativa de que a demanda por soja brasileira se mantenha forte, especialmente devido aos preços competitivos. No entanto, a capacidade da China de absorver as safras recordes dos dois países ainda gera incertezas entre os analistas.
Fatores climáticos também podem influenciar o cenário. Enquanto as condições nos Estados Unidos são favoráveis, a formação do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 pode impactar negativamente a produtividade das lavouras na América do Sul, alterando a pressão sobre os preços.
O óleo de soja se destacou em maio, com cotações em alta devido à valorização do petróleo e ao aumento das políticas de incentivo aos biocombustíveis. Já o farelo de soja enfrentou um desempenho mais modesto, pressionado pela ampla oferta global.
Para o segundo semestre, as expectativas são de preços mais pressionados, especialmente com colheitas robustas nos Estados Unidos e a forte produção brasileira. O Itaú BBA aponta que uma recuperação dos preços dependerá de problemas climáticos ou de um aumento significativo nas compras chinesas de soja norte-americana.
Para os produtores brasileiros, esse cenário reforça a necessidade de um planejamento comercial eficaz e uma gestão de riscos atenta, considerando que a volatilidade do mercado pode impactar diretamente a rentabilidade ao longo da safra 2026/27.











