A suinocultura brasileira enfrenta um momento crítico, com a recente queda nos preços do suíno vivo ampliando os prejuízos dos produtores. Segundo o relatório Agro Mensal do Itaú BBA, a desvalorização observada em maio impactou diretamente a rentabilidade do setor, mesmo com o bom desempenho das exportações.
O cenário atual é resultado de um desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno. Com o aumento dos abates e os preços em queda, os custos de produção permanecem elevados, resultando em margens negativas para muitos produtores independentes.
Queda de 9% no preço do suíno agrava prejuízos
Em maio, o preço do suíno vivo caiu cerca de 9% nos principais estados produtores, como os do Sul e Minas Gerais. A média mensal foi de R$ 5,25 por quilo, enquanto o custo de produção chegou a R$ 6,03 por quilo, aumentando o prejuízo por animal abatido de R$ 40 em abril para R$ 94 em maio.
Esse cenário desafiador é evidenciado pelo spread negativo de 15% na atividade, o que demonstra a dificuldade dos produtores em manter a sustentabilidade econômica de suas operações. A situação exige atenção e estratégias eficazes para evitar maiores perdas.
Crescimento dos abates aumenta pressão sobre o mercado
Dados do IBGE mostram que os abates de suínos cresceram 5,5% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Embora a produção de carne suína tenha avançado 2,6%, o aumento no número de abates elevou a oferta interna, pressionando os preços.
Apesar do crescimento das exportações, que subiram 18% no primeiro trimestre, o ritmo acelerado dos abates dificultou a recuperação dos preços no mercado interno. As exportações, embora robustas, não têm sido suficientes para compensar as perdas enfrentadas pelos produtores.
Expectativas e desafios futuros
Para os próximos meses, espera-se uma possível recuperação nos preços da carne suína, impulsionada pela desvalorização acumulada e pela perda de competitividade em relação à carne de frango. Contudo, a recuperação das margens dependerá de um ajuste consistente entre produção e demanda.
Além disso, a confirmação do fenômeno El Niño acende um alerta para os custos de produção em 2027, já que pode impactar a produção de grãos utilizados na alimentação animal. O planejamento antecipado e a gestão eficiente de custos serão essenciais para enfrentar os desafios que se aproximam.











