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Soja: Oferta recorde no Brasil e EUA pressiona preços globais
Imagem: Reprodução
Agro

Soja: Oferta recorde no Brasil e EUA pressiona preços globais

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A oferta recorde de soja no Brasil e nos Estados Unidos para a safra 2026/27 está pressionando os preços globais da commodity. O relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA aponta que as colheitas abundantes nos dois países são o principal fator de risco para as cotações nos próximos meses.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção brasileira deve alcançar 186 milhões de toneladas, enquanto a safra norte-americana está projetada em 121 milhões de toneladas, um aumento de 4% em relação ao ciclo anterior. Esse cenário indica uma ampla disponibilidade da soja no mercado global, limitando as possibilidades de alta nos preços, especialmente na Bolsa de Chicago (CBOT).

Esmagamento recorde e demanda aquecida

Apesar do aumento na oferta, a demanda por processamento da soja continua forte. O USDA estima um esmagamento recorde nos Estados Unidos, alcançando 74,8 milhões de toneladas, impulsionado pela crescente necessidade de óleo de soja para biocombustíveis, um segmento em expansão na matriz energética global.

Globalmente, o esmagamento deve superar em cerca de 14 milhões de toneladas o volume da safra anterior, o que ajuda a valorizar os derivados, como farelo e óleo, em relação ao grão. Essa dinâmica é crucial para os produtores, que podem encontrar oportunidades de lucro em produtos processados.

China e os desafios do mercado

A China, como maior importadora de soja do mundo, continua sendo um fator decisivo no equilíbrio entre oferta e demanda. Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, ressalta que a capacidade da China de absorver os grandes volumes de soja do Brasil e dos EUA é uma incógnita que pode impactar os preços.

O acordo firmado em maio entre os países pode aumentar a demanda pela soja norte-americana, mas a efetividade desse impacto depende das compras chinesas nos próximos meses. Portanto, a atenção do mercado permanece voltada para a China e suas decisões de importação.

Riscos climáticos e o fenômeno El Niño

Outro fator a ser monitorado é o fortalecimento do fenômeno El Niño, que pode afetar a produtividade das lavouras na América do Sul. Caso esse evento climático ganhe intensidade, poderá haver impactos negativos significativos na oferta de soja, alterando as projeções atuais.

Além disso, novas compras de soja pelos chineses podem oferecer suporte às cotações internacionais, aliviando a pressão gerada pela alta produção. Assim, o clima e a demanda chinesa serão cruciais para definir o futuro dos preços da soja na safra 2026/27.

Com a expectativa de produção recorde, o mercado continua sob pressão. Produtores, exportadores e agentes do setor devem permanecer atentos aos desdobramentos climáticos e comerciais que poderão redefinir o equilíbrio global da commodity nos próximos meses.

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