A 99 dias do primeiro turno da eleição de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) se depara com um desafio que remete à campanha de seu pai, Jair Bolsonaro, em 2022. O senador apresenta-se competitivo entre os homens, mas enfrenta uma desvantagem significativa entre as mulheres, que representam 52,83% do eleitorado brasileiro e são consideradas cruciais para a disputa pelo Palácio do Planalto.
As principais pesquisas realizadas recentemente mostram que Lula lidera com ampla margem entre as eleitoras em um possível segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Levantamentos como o PoderData e o Datafolha indicam que a diferença pode chegar a até 15 pontos percentuais, evidenciando a resistência do eleitorado feminino ao candidato do PL.
Desempenho entre os gêneros
Entre os homens, Flávio Bolsonaro aparece à frente em quatro das cinco pesquisas analisadas, o que reforça uma divisão de votos por gênero semelhante à observada nas eleições anteriores. Essa polarização indica que, apesar de sua competitividade, o senador ainda precisa conquistar o apoio das mulheres para ter chances reais de vitória.
O cenário atual é reminiscente do que foi observado 100 dias antes da eleição de 2022, quando Jair Bolsonaro também enfrentava dificuldades entre as eleitoras. Naquela época, Lula tinha uma vantagem de 28 pontos percentuais entre as mulheres, enquanto a diferença entre os homens era bem menor.
Os números atuais sugerem que o principal desafio do bolsonarismo permanece inalterado. Embora Flávio tenha um desempenho razoável entre os homens, a diferença favorável a Lula entre as mulheres continua a ser um fator determinante para a vantagem do presidente nas simulações de segundo turno.
A pré-campanha de Flávio tem buscado intensificar o diálogo com o eleitorado feminino, incluindo a defesa de uma mulher como vice-presidente. No entanto, a recente crise envolvendo Michelle Bolsonaro, que é vista como um ativo importante para o bolsonarismo, pode ter impactado negativamente essa estratégia.
O eleitorado feminino é crucial por três motivos: é a maioria dos votantes, tem preferências eleitorais distintas em relação aos homens e concentra um número significativo de eleitores indecisos. À medida que a campanha avança, a importância desse grupo tende a aumentar na definição do resultado das eleições.
Na eleição anterior, Jair Bolsonaro conseguiu reduzir a vantagem de Lula entre as mulheres, mas não a eliminou até o dia da votação. Agora, Flávio Bolsonaro inicia sua corrida com o mesmo desafio: conquistar um eleitorado que, até o momento, continua a favorecer o presidente Lula.











