O mercado global de celulose deve reagir no fim de 2026, conforme aponta o relatório do Rabobank. Após um primeiro semestre desafiador, com preços pressionados e margens reduzidas, a expectativa é de uma recuperação gradual, impulsionada pela diminuição dos estoques e cortes de produção em várias regiões.
Os estoques de celulose de fibra curta estão abaixo do nível de equilíbrio, enquanto a oferta de fibra longa permanece alta. Essa dinâmica cria um cenário favorável para a recuperação dos preços nos próximos meses, especialmente com uma demanda mais estável se consolidando.
Cortes de produção ajudam a equilibrar o mercado
As empresas do setor de celulose, diante dos preços baixos e margens apertadas, intensificaram as paradas de produção em 2026. Essas interrupções já resultaram em uma perda de cerca de 900 mil toneladas no primeiro semestre, quase quatro vezes mais do que em 2025.
Essas medidas visam ajustar a oferta à demanda e podem continuar ao longo do terceiro trimestre, contribuindo para um reequilíbrio do mercado. A expectativa é que essa estratégia ajude a estabilizar os preços e a rentabilidade do setor.
Exportadores brasileiros podem ampliar receitas
Para o Brasil, um dos principais fornecedores de celulose no mundo, a segunda metade do ano promete ser mais favorável. A previsão de preços internacionais mais altos e uma possível desvalorização do real em relação ao dólar podem aumentar a competitividade das empresas brasileiras no mercado externo.
Esse cenário pode resultar em receitas mais robustas para os exportadores, beneficiando a economia local e fortalecendo a cadeia produtiva do agronegócio. Contudo, é fundamental que os produtores estejam atentos às flutuações do mercado.
Desafios logísticos e climáticos
Apesar das perspectivas otimistas, o setor ainda enfrenta desafios significativos, especialmente em relação aos custos logísticos. O cenário geopolítico atual, incluindo o conflito no Oriente Médio, pressiona os custos de transporte marítimo, embora a celulose não esteja sujeita a aumentos tarifários nos Estados Unidos.
Além disso, a chegada do fenômeno El Niño pode impactar a produtividade das florestas plantadas no Brasil. Condições climáticas adversas, como chuvas abaixo da média no Nordeste e excesso de precipitações na Região Sul, exigem monitoramento contínuo.
Na visão do Rabobank, a ausência de novos grandes projetos industriais de celulose no curto prazo pode favorecer um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda até 2027. No entanto, o crescimento econômico global moderado e a inflação elevada podem limitar a expansão dos mercados de papel e papelão, mantendo a recuperação do setor em um ritmo gradual.











