O mercado físico do boi gordo encerra junho sob pressão, com novas quedas nas cotações em importantes praças pecuárias do Brasil. A combinação de um consumo doméstico enfraquecido e a redução nas compras por parte dos frigoríficos limita a recuperação dos preços da arroba, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores rurais.
No estado de São Paulo, os frigoríficos estão adquirindo apenas o volume necessário para manter a programação de abates, refletindo o baixo ritmo das vendas de carne bovina no atacado. Essa situação também afeta os animais destinados à exportação, especialmente o “boi China”, que perdeu valor devido à desaceleração das compras pelas indústrias habilitadas para o mercado chinês.
Arroba acumula pressão no mercado físico
Na abertura da semana, as referências em São Paulo mostraram um recuo de R$ 2,00 por arroba para o boi gordo, enquanto a vaca gorda apresentou uma queda ainda maior, de R$ 3,00, passando a ser negociada a R$ 315,00/@. Essa desvalorização reflete a pressão contínua que o mercado enfrenta, com o Indicador Cepea/Esalq fechando a segunda-feira (29) em R$ 338,65 por arroba à vista.
Além disso, a desaceleração do consumo no final do mês impactou o mercado atacadista da carne bovina. Com menor reposição por parte do varejo e aumento da oferta disponível, os estoques nas câmaras frigoríficas cresceram, pressionando os preços das carcaças e resultando em quedas significativas nos principais cortes.
Frango e suíno também registram desvalorização
O enfraquecimento do consumo não se limitou à carne bovina. O frango médio registrou uma desvalorização de 2,7%, enquanto o suíno especial caiu 4,4%. Essa queda reflete o menor volume de compras do varejo e a desaceleração da demanda no encerramento do mês, o que pode levar os produtores a repensar suas estratégias de venda.
Para julho, a perspectiva do mercado depende da recuperação da demanda e do desempenho das exportações. Analistas acreditam que, se os embarques de carne bovina mantiverem um bom desempenho e o consumo interno se recuperar, a pressão sobre a arroba poderá diminuir, beneficiando os produtores.
Até lá, a expectativa é de um mercado cauteloso, com compradores seletivos e produtores atentos ao comportamento das exportações e da demanda doméstica. A situação atual exige que os envolvidos na cadeia produtiva se adaptem rapidamente às mudanças, buscando alternativas para garantir a sustentabilidade econômica do setor.











