O Brasil enfrenta um desafio significativo no agronegócio: menos de 4% da área cultivada no país está coberta por seguro rural. Essa realidade expõe milhões de hectares a riscos climáticos, como secas e chuvas excessivas, comprometendo a sustentabilidade financeira dos produtores e de toda a cadeia produtiva.
Apesar do recente anúncio do Plano Safra 2026/2027, que prevê R$ 525,1 bilhões em crédito rural, a proteção contra perdas climáticas não avançou na mesma proporção. O aumento do crédito, sem mecanismos eficazes de seguro, eleva a vulnerabilidade dos agricultores, que podem enfrentar sérios problemas financeiros em caso de safras comprometidas.
Subvenção ao seguro rural: um cenário preocupante
O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) é a principal ferramenta para incentivar a contratação de seguros agrícolas. Contudo, o orçamento destinado a esse programa tem enfrentado instabilidades, com recursos em 2025 totalizando apenas R$ 565,3 milhões, bem abaixo do necessário para atender a demanda nacional.
As projeções para 2026 indicam que a área segurada poderá cair para cerca de 2,7 milhões de hectares, representando menos de 3% da área agrícola brasileira. Essa retração é alarmante, especialmente em um período de aumento na frequência de eventos climáticos extremos.
A ausência de seguro rural não impacta apenas os produtores, mas também toda a cadeia do agronegócio. Cooperativas, revendas de insumos e municípios dependentes da agricultura sentem os efeitos das quebras de safra, que reduzem a oferta de alimentos e afetam a arrecadação de impostos.
Além disso, a falta de proteção adequada pode resultar em custos elevados para o governo, que frequentemente precisa intervir com medidas emergenciais em resposta a perdas climáticas. Especialistas argumentam que uma maior cobertura do seguro rural poderia aliviar essa pressão financeira sobre os cofres públicos.
Por fim, a imprevisibilidade na liberação de recursos para o PSR dificulta a expansão do mercado de seguros. Em 2025, bloqueios orçamentários comprometeram a oferta de apólices, desestimulando seguradoras a ampliar suas operações. Para que o agronegócio brasileiro se torne mais resiliente, é essencial que a gestão de riscos evolua junto com a produção.











