O Brasil vive um momento de paradoxos no setor de defensivos agrícolas, com um recorde de aprovações de pesticidas, mas também um aumento alarmante de cancelamentos de registros. Em 2025, o país registrou 912 novos registros, um crescimento de 38% em relação ao ano anterior, e em 2026, até junho, já foram contabilizadas 338 novas aprovações.
Entretanto, essa expansão não vem sem desafios. O aumento de cancelamentos, suspensões e desistências de registros indica que o ambiente regulatório se tornou mais complexo, impactando diretamente a dinâmica do mercado e a competitividade entre as empresas.
Aprovações crescem, mas cancelamentos também avançam
Nos últimos cinco anos, o Brasil somou 3.344 registros aprovados, consolidando-se como um dos maiores mercados de defensivos do mundo. Contudo, em 2025, foram registrados 158 cancelamentos, um aumento de quase 45% em relação ao ano anterior, evidenciando que a alta nas aprovações não garante estabilidade.
Especialistas apontam que essa situação reflete não apenas decisões estratégicas das empresas, mas também a crescente complexidade regulatória e os custos associados à conformidade, que podem inviabilizar a manutenção de registros.
Judicialização cresce e acelera liberações no setor
Um fenômeno notável é o aumento da judicialização dos processos regulatórios. Entre 2019 e 2025, as aprovações toxicológicas pela Anvisa por decisão judicial aumentaram quase 400%, enquanto o Ibama registrou um crescimento superior a 2.600% em liberações decorrentes de ações judiciais.
Esse cenário revela que as empresas estão utilizando o Judiciário como uma alternativa para acelerar processos que consideram lentos, transformando o tempo de aprovação em uma variável financeira crucial para a viabilidade dos negócios.
Custos regulatórios influenciam cancelamentos de registros
Os cancelamentos de registros também estão relacionados ao aumento dos custos regulatórios. Exigências documentais mais rigorosas e frequentes revisões normativas elevam o custo de manutenção dos registros, fazendo com que muitas empresas reconsiderem sua presença no mercado.
Além disso, a necessidade de compliance regulatório tem levado empresas a ampliar suas estruturas internas ou a terceirizar serviços especializados, o que pode ser um fardo financeiro significativo.
Com a nova regulamentação que estabelece prazos para a produção e comercialização, o setor se prepara para uma possível nova onda de cancelamentos, caso esses prazos não sejam cumpridos. Para o produtor rural, isso pode significar menos opções de defensivos e, consequentemente, aumento nos custos de produção.
O debate sobre a regulação do setor será um dos temas centrais do 17º Brasil AgrochemShow, que ocorrerá em agosto em São Paulo. O evento reunirá especialistas e empresas para discutir a importância do equilíbrio entre segurança regulatória e acesso a tecnologias essenciais para a produtividade do agronegócio brasileiro.











