As recentes discussões sobre restrições às importações de tilápia no Brasil mobilizaram o governo do Vietnã. A Associação Vietnamita de Exportadores e Produtores de Pescados (VASEP) solicitou ao governo vietnamita que intensifique as negociações com as autoridades brasileiras para garantir o acesso ao mercado brasileiro, considerado o principal destino da tilápia produzida no Vietnã.
A VASEP enviou ofícios aos ministérios das Relações Exteriores, Agricultura e Desenvolvimento Rural e Indústria e Comércio, pedindo uma atuação coordenada para contestar as medidas que ameaçam as exportações do setor. O Brasil se tornou um mercado estratégico para a indústria aquícola vietnamita, o que aumenta a preocupação com as iniciativas que podem restringir as importações.
Impacto das restrições no comércio bilateral
Entre os principais pontos de atenção estão os novos controles sanitários e tributários em alguns estados brasileiros, além do Projeto de Lei nº 6.331/2025, que propõe a proibição da importação de tilápia e seus derivados. A VASEP acredita que essas medidas podem comprometer significativamente o fluxo comercial entre Brasil e Vietnã.
Em resposta a essa situação, a VASEP pediu ao governo do Vietnã que adote medidas para ampliar o diálogo bilateral. Entre as propostas estão o envio de uma missão técnica ao Brasil durante a Seafood Show Latin America, prevista para outubro, e a elaboração de um dossiê técnico sobre o sistema de produção de tilápia vietnamita.
Do lado brasileiro, a Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) defende que o setor produtivo não busca impedir o comércio internacional, mas sim garantir que todas as importações cumpram a legislação sanitária brasileira. A entidade solicita que o Ministério da Agricultura realize a Análise de Risco de Importação (ARI) diretamente no Vietnã, um procedimento essencial para avaliar os riscos sanitários.
A proteção da sanidade aquícola nacional é vista como estratégica para a sustentabilidade da cadeia produtiva brasileira. A PEIXE BR destaca que a segurança sanitária e a competitividade da piscicultura nacional devem ser preservadas, garantindo que as exigências aplicadas aos produtos importados sejam equivalentes às impostas aos produtores brasileiros.
Com o Brasil se consolidando como um dos mercados mais importantes para a tilápia vietnamita, o tema deve continuar a ser central nas negociações comerciais e sanitárias entre os dois países. Produtores e autoridades terão que discutir os critérios técnicos que definirão o futuro das importações nos próximos meses.











