O preço do trigo no Brasil mantém firmeza, impulsionado por uma oferta limitada e uma baixa liquidez no mercado. Apesar da redução no ritmo das negociações, as cotações continuam sustentadas, refletindo a dificuldade de encontrar grãos de qualidade superior.
Conforme o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, a semana começou com um mercado mais aquecido, mas a intensidade diminuiu devido à cautela dos moinhos e à escassez de trigo de melhor qualidade. A indústria está realizando compras pontuais, focadas em reposição imediata.
Valorização do trigo no Paraná e Rio Grande do Sul
No Paraná, a cotação média do trigo teve uma valorização de 3,5%, alcançando R$ 1.467 por tonelada. A dificuldade em encontrar trigo de qualidade mantém o mercado aquecido, com referências de negociação variando entre R$ 1.450 e R$ 1.480 por tonelada.
Já no Rio Grande do Sul, a alta foi mais modesta, com um aumento de 0,8%, levando o preço médio para R$ 1.305 por tonelada. O mercado gaúcho ainda apresenta poucos negócios envolvendo a safra antiga, enquanto as expectativas para a nova safra estão entre R$ 1.250 e R$ 1.255 por tonelada.
Nas regiões do Cerrado, a colheita da nova safra está avançando, o que aumenta a disponibilidade de trigo e estimula novas negociações. Em Minas Gerais, os preços estão em torno de R$ 1.550 por tonelada, enquanto em Goiás, as referências permanecem em cerca de R$ 1.400 por tonelada.
Entretanto, a dificuldade dos moinhos em repassar os custos da matéria-prima para o preço da farinha limita as compras. Com margens apertadas, a indústria adota uma postura conservadora, comprando apenas conforme a necessidade operacional.
As importações brasileiras de trigo somam 4,5 milhões de toneladas na temporada 2025/26, um volume inferior ao do ano anterior. O Ceará lidera as importações, seguido por São Paulo e Pernambuco, evidenciando a importância das compras externas para abastecer regiões com menor produção interna.
O mercado do trigo permanece atento à nova safra e à dinâmica internacional, especialmente em relação à Argentina. A combinação de oferta limitada e a evolução das colheitas nacionais deve continuar influenciando as cotações nas próximas semanas.











