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Uberlândia liderou número de feminicídios em Minas Gerais em 2024, aponta CPI
Foto original adaptada visualmente por IA.
Uberlândia

Uberlândia liderou número de feminicídios em Minas Gerais em 2024, aponta CPI

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O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Feminicídio, apresentado nesta quinta-feira (6) na Câmara Municipal de Uberlândia, reuniu dados sobre a violência contra a mulher no município em 2024 e 2025.

De acordo com o documento, 2024 foi o ano mais letal da série histórica recente em Uberlândia. O município liderou Minas Gerais em números absolutos de feminicídios consumados, com 10 mortes e 10 tentativas. Em 2025, foram registrados dois feminicídios consumados e 10 tentativas.

Perfil dos crimes

Dados consolidados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que Uberlândia registra, em média, aproximadamente 11 ocorrências de violência doméstica e familiar por dia.

A análise dos inquéritos feita pela CPI identificou características recorrentes nos casos de feminicídio. A maioria das vítimas era formada por mulheres adultas, com idade média de 39 anos e faixa etária entre 30 e 55 anos. Nos casos em que houve declaração de cor ou raça, cerca de 60% das vítimas eram pardas.

Em todos os casos investigados, consumados ou tentados, os autores eram maridos, ex-maridos, companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Cerca de 78% das mortes ocorreram dentro das residências. Em aproximadamente 80% dos casos, foram utilizadas armas brancas, como facas e outros objetos cortantes de fácil acesso.

Um caso citado no relatório é o de Vanessa Jussara da Silva, de 38 anos, que trabalhava como motorista de aplicativo. Ela desapareceu na madrugada de 5 de outubro de 2025 e foi encontrada em uma área de mata entre a região do bairro Jardim Ipanema e o Parque Estadual do Pau Furado, na zona rural de Uberlândia. Segundo o conteúdo apresentado, Vanessa foi estrangulada pelo então companheiro, Romário dos Santos Cruz.

Aumento de procedimentos na DEAM

A CPI também analisou o volume de trabalho do 9º Departamento da Polícia Civil. Entre 2024 e 2025, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Uberlândia instaurou 6.782 procedimentos policiais.

Em 2024, foram registrados 2.849 procedimentos. No ano seguinte, o número subiu para 3.933, um aumento de 38%. Conforme o relatório, a alta não representa apenas um crescimento real das agressões, mas também está relacionada à entrada em vigor da Lei Federal nº 14.994/2024.

A legislação transformou o crime de ameaça no contexto doméstico em ação penal pública incondicionada. Com isso, deixou de ser necessária a representação formal da vítima para que a polícia instaure um inquérito.

No mesmo período, a DEAM formalizou 3.125 pedidos de Medidas Protetivas de Urgência à Justiça: 1.429 em 2024 e 1.696 em 2025.

CPI cobra plantão 24 horas

Entre os alertas apresentados pelos vereadores está a previsão orçamentária para a área em 2026. O Fundo Municipal dos Direitos das Mulheres (FMDM) deverá contar com R$ 11.000,00 para todo o ano. A CPI classificou o valor como manifestamente insuficiente e incompatível com o tamanho do município e a gravidade dos indicadores.

O relatório também apontou problemas na estrutura de segurança e fiscalização. A comissão cobrou o funcionamento ininterrupto da DEAM, 24 horas por dia, durante os sete dias da semana.

Outro ponto destacado foi o horário de atuação da Radiopatrulha de Proteção à Mulher (RPPM), da Polícia Militar. Apesar de ser reconhecida pela eficiência na fiscalização de medidas protetivas, a patrulha trabalha apenas em horário administrativo. Segundo o relatório, isso deixa sem cobertura as noites, madrugadas e os finais de semana, períodos apontados como aqueles em que ocorre a maior parte dos conflitos violentos.

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