O Tribunal do Júri de Belo Horizonte condenou, nesta quinta-feira (20), os cinco homens acusados pelo homicídio de uma catadora de materiais recicláveis, de 33 anos. O crime ocorreu no Aglomerado Morro das Pedras, na região Oeste da capital mineira.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a ação teria sido organizada como uma espécie de “tribunal do crime” para punir a vítima por uma suspeita que nunca foi confirmada.
O homem apontado como mandante, de 43 anos, foi condenado a 24 anos e seis meses de reclusão. De acordo com o MPMG, ele teria dado a ordem para a execução, enquanto os outros quatro réus teriam colocado o plano em prática. Dois deles, de 21 e 22 anos, receberam penas de 15 anos e sete meses de prisão. Os outros dois, de 24 e 25 anos, foram condenados a 18 anos e nove meses de reclusão.
Todos deverão cumprir as penas inicialmente em regime fechado. Os jurados também reconheceram as qualificadoras de motivo fútil, uso de meio cruel e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação no julgamento foi conduzida pelo promotor de Justiça Carlos Eugênio Souto Maior Filizola Júnior.
Conforme apuração da Record Minas, quatro dos réus espancaram a mulher em um terreno baldio no bairro São Jorge III. Depois, ela foi levada para outro ponto da região, onde sofreu novas agressões. Investigadores da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) relataram que a vítima foi arrastada por cerca de 20 metros até um lote vago e teve o corpo empurrado para uma ribanceira.
As investigações apontaram ainda que as agressões começaram na casa de um dos suspeitos e continuaram durante o trajeto pela rua. O corpo foi localizado posteriormente, após ser abandonado em uma área isolada.
A denúncia do MPMG indica que a ordem para matar a catadora teria sido dada para impedir que ela denunciasse o grupo pelas agressões sofridas horas antes. A motivação seria a suspeita de que ela tivesse ficado com um carregador de pistola encontrado entre os materiais recicláveis recolhidos durante o trabalho.
Testemunhas ouvidas pela PCMG afirmaram que o carregador estava entre os materiais coletados, mas que a mulher não sabia do que se tratava e o vendeu junto com outros itens. A suspeita, segundo as investigações, levou o grupo a espancá-la e depois matá-la.
O caso veio à tona após a prisão de quatro suspeitos. Meses depois, o processo chegou ao Tribunal do Júri de Belo Horizonte, que condenou os cinco envolvidos, incluindo o homem apontado pelo Ministério Público como mandante.











