A Nvidia fechou um acordo de US$ 6 bilhões, equivalente a cerca de R$ 30,9 bilhões, com a startup Poolside. A operação prevê o licenciamento da tecnologia da empresa e a contratação da maior parte de seus engenheiros. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial de pesos abertos capazes de competir com sistemas chineses.
Segundo o The Wall Street Journal, o acordo também aproxima a Nvidia de uma concorrência direta com a OpenAI e a Anthropic. A companhia, conhecida por fornecer os chips utilizados por grandes laboratórios de IA, amplia sua atuação e passa a investir no desenvolvimento dos próprios modelos.
Poolside reforçará projeto Nemotron
A operação inclui ainda um investimento de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,16 bilhões, na Poolside, que tinha avaliação prévia de US$ 12 bilhões, ou aproximadamente R$ 62 bilhões. Mais de 100 funcionários da startup, principalmente engenheiros, serão incorporados à Nvidia.
Esse grupo trabalhará no Nemotron, projeto de modelos de pesos abertos apresentado pela Nvidia em 2023. Fundada no mesmo ano por Eiso Kant e Jason Warner, ex-CTO do GitHub, a Poolside também tem Margarida Garcia em sua equipe de liderança. Os três não irão para a Nvidia e continuarão envolvidos em projetos de pesquisa ainda não divulgados.
Modelos de pesos abertos podem ser baixados e modificados, o que permite adaptá-los a diferentes necessidades e, em geral, operá-los com custos menores.
Avanço chinês aumentou pressão
A Nvidia passou a dar mais atenção ao segmento após o avanço dos modelos chineses. Em março, a empresa criou a Nemotron Coalition, com participação de companhias como Mistral, Thinking Machines Lab e Perplexity, para compartilhar dados, conhecimento e recursos computacionais.
O lançamento do primeiro modelo de pesos abertos de baixo custo da DeepSeek, em janeiro de 2025, foi um dos acontecimentos que elevaram a pressão sobre as empresas americanas. Entre os sistemas chineses citados estão o DeepSeek, o Kimi, da Moonshot, e o GLM, da Z.AI, além de outros modelos de pesos abertos que vêm se aproximando das soluções americanas.
Em uma carta publicada na rede X, Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirmou que a liderança dos Estados Unidos dependerá da construção de um ecossistema aberto capaz de alcançar diferentes setores.
Poolside enfrentava limite de capacidade computacional
A situação financeira da Poolside também contribuiu para a aproximação entre as empresas. No fim de 2025, a startup tentou levantar US$ 2 bilhões, cerca de R$ 10,3 bilhões, em seis semanas para pagar por um cluster com 40 mil servidores GB300. A captação não foi concluída.
“Não fechamos a tempo e perdemos o cluster”, escreveram os fundadores da Poolside aos acionistas. O episódio indicou que, sem novos recursos, a empresa poderia ficar sem capacidade computacional já no ano seguinte. A Nvidia tinha a infraestrutura e o capital necessários para reduzir essa limitação.
Pouco antes do acordo, a Poolside havia lançado o Laguna S, modelo que ganhou popularidade entre os sistemas de pesos abertos no Ocidente.
Nvidia passa a disputar também o desenvolvimento de modelos
A operação cria uma situação incomum para a Nvidia. OpenAI e Anthropic estão entre seus grandes clientes de chips, mas também desenvolvem modelos que podem concorrer com o Nemotron.
A empresa trabalha na versão mais avançada do projeto, que pode superar 1 trilhão de parâmetros. Segundo o conteúdo divulgado, alguns modelos chineses já são maiores.
Com a Poolside, a Nvidia deixa de atuar apenas no fornecimento de componentes para a corrida da inteligência artificial. A companhia passa a disputar também o desenvolvimento dos modelos que utilizam seus próprios processadores.











