A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) conquistou uma patente inovadora para um tratamento contra a malária resistente, utilizando um composto promissor conhecido como DAQ. Essa conquista representa um avanço significativo na luta contra a malária, especialmente em regiões onde a resistência a medicamentos tradicionais é uma preocupação crescente.
O DAQ, que atua contra o Plasmodium falciparum, o parasita responsável pelas formas mais graves da doença, foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores do Instituto René Rachou, unidade da Fiocruz em Minas Gerais. O método patenteado se destaca por sua capacidade de superar os mecanismos de resistência que o parasita desenvolveu ao longo do tempo.
Como funciona o tratamento?
O composto DAQ age de maneira similar à cloroquina, interferindo em processos vitais para a sobrevivência do parasita. Durante a digestão da hemoglobina humana, o Plasmodium produz substâncias tóxicas que, normalmente, consegue neutralizar. O DAQ bloqueia esse mecanismo, levando à morte do parasita.
Os estudos realizados indicam que o DAQ apresenta ação rápida nas fases iniciais da infecção e é eficaz tanto contra cepas sensíveis quanto resistentes do Plasmodium falciparum. Além disso, os pesquisadores observaram resultados promissores contra o Plasmodium vivax, que é responsável pela maioria dos casos de malária no Brasil.
Outro aspecto importante é o custo potencialmente baixo do DAQ, o que pode beneficiar países de baixa e média renda, onde a malária ainda é endêmica. A pesquisa contou com a colaboração de instituições renomadas, como a University of California San Francisco (UCSF) e a Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
A patente, concedida em março de 2026, é válida até 2041, mas o desenvolvimento do DAQ como medicamento ainda enfrenta etapas cruciais, como testes de toxicidade e a definição de doses seguras. A Fiocruz, com sua experiência em testes clínicos e atuação na Amazônia, pode acelerar esse processo.
Os pesquisadores ressaltam a importância de continuar o desenvolvimento de novas terapias, uma vez que o parasita da malária está em constante evolução. A busca por alternativas eficazes é fundamental para garantir que tratamentos adequados estejam disponíveis no futuro, evitando uma possível escassez de medicamentos.











