Irã e países árabes vizinhos voltaram a ser envolvidos em confrontos nesta quarta-feira (2), no episódio mais grave da guerra entre Teerã e Washington desde julho. As forças dos Estados Unidos atacaram a costa sul iraniana, enquanto o Irã lançou ofensivas contra bases americanas em diferentes pontos do Oriente Médio. Washington também ameaçou realizar ações ainda mais intensas.
O governo iraniano acusou os Estados Unidos de atingir uma festa de casamento em Sirik, cidade localizada na costa do Estreito de Ormuz. Segundo autoridades iranianas, cinco pessoas, incluindo uma criança de quatro anos, morreram e até 68 ficaram feridas. A informação não foi verificada de forma independente, e autoridades norte-americanas não se pronunciaram sobre o caso.
Os novos ataques provocaram queda nas bolsas asiáticas e europeias e fizeram os preços do petróleo subirem novamente para níveis não registrados desde julho. O impacto ocorre em meio a uma onda global de venda de títulos e à preocupação de que a instabilidade no abastecimento de energia aumente a inflação em diversos países.
Na terça-feira (1º), o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos informou ter atingido defesas aéreas da Guarda Revolucionária Islâmica, sistemas de radar, estruturas marítimas, equipamentos de colocação de minas e instalações de comunicação. A imprensa iraniana relatou ataques contra alvos próximos ao Estreito de Ormuz, rota marítima onde Teerã ameaça petroleiros que tentem atravessar sem autorização.
O Irã afirmou ter atacado alvos dos Estados Unidos no Barein, na Jordânia, no Kuwait e no Iraque. O governo iraniano declarou que pretende expulsar as forças americanas da rede de bases militares mantida pelos Estados Unidos há décadas no Oriente Médio.
“A maldade norte-americana na região será recebida com respostas mais pesadas, mais generalizadas e devastadoras, e qualquer país que cooperar com o agressivo exército dos EUA deve aceitar as consequências perigosas”, afirmou o comando militar do Irã.
Na Jordânia, as Forças Armadas informaram ter enfrentado 13 mísseis. Dez foram interceptados e três caíram em áreas remotas. A Guarda Revolucionária Iraniana afirmou ter matado muitos militares americanos no país, mas autoridades dos Estados Unidos disseram, em avaliações iniciais, que não houve vítimas.
No Kuwait, o Irã declarou ter lançado mísseis e drones contra a Base Aérea Ali Al Salem, dos Estados Unidos, e contra a residência de um comandante americano. O corpo de bombeiros kuwaitiano informou que apagou, na madrugada desta quarta-feira, um incêndio em um complexo residencial atingido por um drone iraniano. O ataque causou danos, mas não deixou vítimas.
O Catar, que abriga a maior base aérea americana no Golfo, responsabilizou legalmente o Irã pelos ataques e por suas consequências. No Barein, onde fica o quartel-general regional da Marinha dos Estados Unidos, as autoridades informaram que drones iranianos foram interceptados e destruídos.
A Guarda Revolucionária Islâmica também afirmou que suas forças terrestres usaram mísseis e drones contra bases americanas em Erbil, no norte do Iraque, e alegou ter matado vários militares dos Estados Unidos. O ataque não foi confirmado pelo Iraque nem pelo governo americano.
O Irã disse ainda que dois petroleiros foram atingidos por minas enquanto eram conduzidos pelo Estreito de Ormuz por agentes americanos, em um canal que Teerã afirma ter fechado.
Segundo a imprensa iraniana, pelo menos 12 pessoas morreram durante os ataques americanos na noite anterior. Cinco delas teriam sido atingidas enquanto participavam de uma festa de casamento em uma residência de Sirik. Imagens divulgadas mostraram crianças feridas em um hospital. Autoridades iranianas compararam o episódio a um ataque contra uma escola para meninas que matou 160 pessoas na primeira noite da guerra.
Um vídeo feito no local mostrou escombros espalhados pelos cômodos e pelo pátio de uma casa. Ali Molahi, identificado como pai da noiva, afirmou: “Só fico feliz que o número de vítimas não tenha sido ainda maior”.
A troca de ataques foi a mais grave desde julho, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interrompeu duas semanas de bombardeios contra o Irã. Na ocasião, altos comandantes militares americanos alertaram que as munições estavam se esgotando e que havia poucos alvos significativos restantes.











