Charles Spencer, irmão mais novo da princesa Diana, revelou um episódio pouco conhecido sobre os dias que sucederam a morte da princesa, em 1997. Segundo o 9º Conde Spencer, a então rainha Elizabeth II teria oferecido restaurar, após a morte de Diana, o tratamento de Sua Alteza Real (SAR), retirado dela depois do divórcio do então príncipe Charles.
O relato está no livro de memórias Swan Song: Diana, My Sister, que terá novos trechos divulgados antes do lançamento, previsto para a próxima semana. Na obra, Spencer revisita os acontecimentos relacionados à morte e ao funeral da irmã e recorda a relação dela com a família real britânica.
De acordo com Spencer, a proposta foi transmitida por Robert Fellowes, secretário particular de Elizabeth II e também cunhado da rainha. O conde conta que estava no trem real a caminho de Althorp, propriedade da família Spencer onde Diana seria sepultada, quando Fellowes o chamou para uma conversa reservada.
“Depois de termos percorrido alguns quilômetros, Robert me fez sinal para segui-lo até um canto tranquilo da carruagem”, escreveu Spencer. Segundo o relato, Fellowes disse: “Acabei de receber um telefonema de Sua Majestade, e ela gostaria de devolver a Diana o título de Alteza Real”.
Diana recebeu o tratamento de Sua Alteza Real após se casar com o então príncipe Charles, em 1981. Com o divórcio, concluído em 1996, ela deixou de usar o título e passou a ser oficialmente conhecida como Diana, Princesa de Gales.
Spencer afirma que a perda do tratamento afetou profundamente a irmã. Ao ouvir a proposta feita depois da morte de Diana, ele diz ter pensado em como ela reagiria à possibilidade de recuperar o título somente depois de morrer.
“Ela ficou terrivelmente magoada com a perda desse título ao sair do casamento”, relatou o conde. “Pareceu-lhe tão mesquinho e vingativo. Embora não fosse mais casada com um futuro rei, ela sempre seria mãe de outro.”
O irmão de Diana conta que recusou a homenagem póstuma por não ver sentido em aceitar o título depois da morte dela. Para ele, a distinção teria importância enquanto a princesa estivesse viva, mas não poderia mudar sua situação naquele momento.
“Depois de um instante, senti que sabia instintivamente como ela encararia essa homenagem póstuma: ‘É muita gentileza da Rainha, claro. Mas qual o sentido disso, Robert? Agora? Quer dizer, Diana está morta.’ Ele assentiu, olhou para baixo e disse: ‘Eu imaginei que você diria isso’”, escreveu.
Mais tarde, Spencer passou a questionar se havia tomado a decisão correta. Ele considerou que William e Harry poderiam ter visto a atitude da avó como uma homenagem importante à mãe e cogitou se Diana teria desejado ver “Sua Alteza Real” gravado em sua lápide.
Ainda assim, o conde afirma que, durante o luto, sentiu que precisava defender a memória e os desejos da irmã. Para ele, a homenagem seria um “prêmio de consolação” vazio, embora a intenção da rainha pudesse ser bem-intencionada. Spencer argumenta que o título não deveria ter sido retirado enquanto Diana estava viva.
O livro também reúne outras lembranças sobre os últimos dias da princesa, as decisões tomadas pela família após sua morte e a relação dela com a família real. Entre os relatos está uma conversa de Spencer com o então príncipe Charles, na qual o ex-marido de Diana teria feito uma declaração considerada especialmente dolorosa pelo conde.
O Palácio de Buckingham respondeu às alegações relacionadas ao livro com uma declaração incomum, afirmando que o sofrimento provocado pelo luto pode afetar a memória e o julgamento.
Swan Song: Diana, My Sister é descrito por Charles Spencer como seu relato mais pessoal sobre a irmã. A obra chega às livrarias próxima dos 30 anos da morte da princesa e marca a primeira vez que ele aborda de forma tão extensa a relação entre os dois e os acontecimentos que cercaram a morte dela.
Segundo Spencer, a proximidade do aniversário e os inúmeros pedidos para que falasse sobre Diana contribuíram para a decisão de escrever o livro. “O objetivo deste livro é contar a verdade sobre Diana a partir da perspectiva de seu irmão, assim como tentei fazer quando falei em seu funeral”, afirmou em comunicado à imprensa.
Após gravar a versão em áudio da obra, o conde também descreveu o projeto nas redes sociais como o livro mais pessoal que já escreveu. “No fundo, esta é uma simples homenagem de um irmão a uma irmã extraordinária”, declarou.











