Bases, balms, corretivos e outros produtos de maquiagem passaram a incorporar ingredientes tradicionalmente associados ao skincare, como ácido hialurônico, vitamina C, peptídeos e colágeno. A tendência, conhecida como maquiagem híbrida, aproxima os dois universos, mas não significa necessariamente que esses produtos tratem alterações estruturais da pele.
Segundo a dermatologista Joana Petito, da Harmonize Gold (CRM 5287226-0), é importante diferenciar o benefício cosmético de uma promessa de tratamento. “O colágeno é uma molécula grande. Quando aparece em um cosmético, sua atuação tende a acontecer principalmente na superfície, contribuindo para hidratação e melhora temporária da aparência e da textura. Isso é diferente de estimular biologicamente a produção de novo colágeno”, explica.
A hidratação pode deixar linhas finas menos evidentes e tornar a textura da pele mais uniforme. No entanto, esse efeito visual não representa uma mudança estrutural nas camadas mais profundas.
O mesmo cuidado vale para o ácido hialurônico, a vitamina C e os peptídeos. Esses ativos podem oferecer benefícios, mas os resultados dependem da formulação, da concentração, da estabilidade e da forma como cada ingrediente é utilizado.
“A maquiagem híbrida pode reunir acabamento e cuidados interessantes para a pele, mas não basta encontrar o nome de um ativo na embalagem para concluir que aquele produto terá o mesmo efeito de um tratamento desenvolvido especificamente para determinada finalidade”, afirma a dermatologista.
Quando o objetivo é estimular diretamente a produção de colágeno, a abordagem é diferente. Joana explica que os bioestimuladores injetáveis são desenvolvidos para provocar uma resposta do próprio organismo e estimular gradualmente a produção da proteína nas regiões tratadas.
“Uma coisa é aplicar sobre a pele um cosmético que contém colágeno. Outra é realizar um tratamento cujo objetivo é estimular o organismo a produzir novo colágeno. A maquiagem pode ser uma aliada na hidratação, no acabamento e nos cuidados diários, mas, quando falamos em perda de firmeza e alterações estruturais relacionadas ao envelhecimento, precisamos avaliar estratégias específicas para esse objetivo”, conclui.











