A Palantir afirma que nem a empresa nem o governo dos Estados Unidos podem desligar remotamente o Maven Smart System, sua plataforma de inteligência artificial utilizada pela Otan. A declaração ocorre após restrições ao Starshield na Ucrânia reacenderem na Europa as preocupações sobre a dependência de tecnologias militares americanas.
O Maven processa informações de satélites, radares e outros sensores para oferecer aos comandantes uma visão mais completa do campo de batalha e acelerar a tomada de decisões. A Otan adquiriu a plataforma em 2025 para o Quartel-General Supremo das Potências Aliadas na Europa. Em junho de 2026, a aliança informou que o sistema havia alcançado plena capacidade técnica operacional.
Apesar da adoção pela Otan, França e Alemanha não incorporaram a ferramenta às próprias forças armadas. A resistência está relacionada ao receio de depender de uma empresa estrangeira em atividades militares estratégicas.
As dúvidas aumentaram em meio às tensões políticas entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e líderes europeus. O episódio envolvendo a Ucrânia também reforçou o debate. O país relatou restrições ao Starshield, serviço militar que utiliza a constelação de satélites Starlink, da SpaceX.
Os terminais deixaram de funcionar em plataformas de alta velocidade, prejudicando tarefas como o emprego de drones interceptadores contra ataques russos. O The Wall Street Journal noticiou que Elon Musk ordenou a restrição do Starlink usado pela Ucrânia. Trump negou ter determinado a medida, enquanto Musk afirmou que as decisões sobre o acesso ao serviço cabem à SpaceX.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, atribuiu a responsabilidade à empresa e a Musk. Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também apontou o governo dos Estados Unidos como responsável pela restrição. A divergência ampliou as preocupações europeias sobre a dependência de tecnologias militares americanas.
A Alemanha detalhou parte de suas objeções ao Maven. Em abril de 2026, o chefe do comando cibernético do país descartou a compra da plataforma e considerou “inconcebível” que funcionários de uma empresa privada tivessem acesso ao banco de dados militar nacional. A fonte não detalha os motivos específicos da França para não adotar o sistema.
Em declaração à Reuters, Louis Mosley, vice-presidente executivo da Palantir para o Reino Unido e a Europa, afirmou que os clientes mantêm o controle operacional do software adquirido. “Não existem mecanismos de desligamento. A Palantir ou o governo dos Estados Unidos não têm como acessar o sistema e desligá-lo”, declarou.
Segundo Mosley, a participação de funcionários da Palantir na operação depende da decisão do cliente. Caso sejam contratados para essa função, eles precisam ser cidadãos do país atendido e ter a autorização de segurança exigida.
O executivo também afirmou que o Maven pode funcionar sem a participação direta da Palantir e que clientes militares e corporativos já operam os sistemas dessa forma. O debate envolve o acesso a informações militares, a continuidade das operações em caso de interrupções e a capacidade de as forças armadas utilizarem as ferramentas sem depender do fornecedor.
A Palantir sustenta que seus clientes podem operar o Maven sem a participação da empresa e que nem ela nem o governo americano conseguem desligar o sistema remotamente. A Alemanha, porém, mantém a preocupação com o acesso de funcionários privados a dados militares estratégicos.











