Paulo Maluf chegou ao governo de São Paulo em 1978, durante o regime militar, após vencer uma eleição indireta realizada na Assembleia Legislativa do Estado. Naquele período, os governadores eram escolhidos indiretamente, e os representantes responsáveis pela votação pertenciam à Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido governista.
Tradicionalmente, a cúpula da Arena e as lideranças militares apoiavam um único candidato, cuja escolha costumava seguir a orientação dos principais nomes do regime. Naquele ano, o nome indicado para assumir o governo paulista era o de Laudo Natel, que tinha o apoio de importantes lideranças militares.
Maluf, no entanto, decidiu se candidatar pela Arena e disputar a eleição contra o nome preferido dos generais. Inicialmente, os militares teriam demonstrado descrença na candidatura, acreditando que os delegados seguiriam a orientação da cúpula do regime.
Enquanto Laudo Natel não teria percorrido pessoalmente o estado em busca de votos, Maluf adotou outra estratégia. Ele visitou os delegados em suas respectivas cidades, conversou com eles e procurou conhecer suas demandas.
Segundo o relato, Maluf usou recursos próprios, vindos da fortuna de sua família, para custear as viagens e ajudar a resolver questões pessoais dos delegados, sem utilizar verbas do governo. Sua mãe, descrita como muito rica, desejava vê-lo no comando do governo paulista.
A votação foi secreta, realizada com cédulas de papel depositadas em uma única urna. Durante uma apuração informal, os aliados dos militares teriam percebido que Maluf reunia apoio suficiente para vencer, aumentando a tensão nos bastidores.
De acordo com o relato, em determinado momento as luzes da Assembleia Legislativa se apagaram. Na confusão, o deputado Antonio Salim Curiati, aliado de Maluf, teria se lançado sobre a urna para evitar qualquer interferência na votação.
A urna foi colocada em um carro da polícia e levada para um local seguro. Curiati teria permanecido ao lado dela para garantir a preservação dos votos.
No dia seguinte, a contagem confirmou a vitória de Paulo Maluf, que foi declarado governador de São Paulo. O resultado contrariou as expectativas de parte da cúpula militar. Antonio Salim Curiati também continuou na política e, posteriormente, foi prefeito de São Paulo.











