A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para cima a projeção de crescimento da agropecuária brasileira em 2026, de 1,8% para 2,5%. Ao mesmo tempo, reduziu de 2% para 1,6% a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
As previsões estão no Informe Conjuntural do terceiro trimestre, concluído em 26 de outubro. Segundo a análise, o crescimento da economia está cada vez mais concentrado na agropecuária e na indústria extrativa, enquanto os setores dependentes de crédito e da demanda interna enfrentam perda de força.
Entre os fatores que limitam a atividade, a CNI cita os juros elevados, o endividamento de famílias e empresas, a pressão sobre os custos e a concorrência de produtos importados.
A revisão positiva para o setor agropecuário foi influenciada principalmente pela melhora na estimativa da segunda safra de milho. Com base em dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o relatório aponta que a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas deve chegar a 354,5 milhões de toneladas em 2026.
O volume representa alta de 2,4% em relação a 2025, ou 8,4 milhões de toneladas a mais. Em junho, a previsão era de 347,4 milhões de toneladas. A estimativa para a segunda safra de milho passou de 106,8 milhões para 113,6 milhões de toneladas entre os levantamentos de junho e setembro.
A produção animal também contribui para a perspectiva favorável. O informe cita uma projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de aumento de 2% na produção total de carnes em 2026, apesar da expectativa de leve redução do rebanho bovino.
O crescimento da produção, contudo, não representa necessariamente melhora na rentabilidade dos produtores. De acordo com a CNI, os custos dos insumos, especialmente dos fertilizantes, continuam elevados em meio aos efeitos do conflito no Oriente Médio. O aumento dos fretes também pressiona o setor, tanto na aquisição de insumos quanto na logística da produção.
No segundo trimestre de 2026, o PIB da agropecuária avançou 2,8% em relação ao trimestre anterior e 6,8% na comparação com o mesmo período de 2025. No primeiro semestre, a expansão acumulada foi de 3,6%.
Para a indústria de transformação, a CNI revisou a previsão de crescimento de 0,6% para uma retração de 0,7% em 2026. A entidade relaciona a mudança à demanda interna mais fraca, às dificuldades financeiras de empresas e consumidores, à alta dos custos de produção e à entrada de produtos importados. Na indústria como um todo, a projeção caiu de 2,1% para 1,3%.
A indústria extrativa permanece como principal sustentação do segmento, com crescimento estimado em 9,1%, impulsionado pela produção de petróleo. Para a construção, a previsão foi mantida em 1,5%, apoiada por programas habitacionais e investimentos em infraestrutura.
A CNI também reduziu de 1,9% para 1,6% a estimativa de crescimento dos serviços. A previsão para o consumo das famílias passou de 2% para 1,3%, enquanto a formação bruta de capital fixo, indicador dos investimentos, deve avançar 0,6% no ano.
O mercado de trabalho ainda contribui para sustentar a demanda. A entidade prevê aumento de 4,5% na massa de rendimento real e taxa de desemprego de 5% no fim de 2026. O comprometimento da renda e a inadimplência, porém, limitam a recuperação do consumo.
A CNI projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre 2026 em 5,15%, acima do limite superior da meta, de 4,5%. Para a taxa Selic, a previsão é de 13,25% ao ano no fim do período. Mesmo com os cortes esperados, a avaliação é de que a política monetária continuará restringindo a atividade econômica.
Segundo o informe, o aumento das concessões de crédito não significa necessariamente condições melhores para investimentos. Parte da expansão está concentrada em linhas de curto prazo e custo elevado, utilizadas pelas empresas para financiar o caixa.
As exportações da agropecuária somaram US$ 64,8 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, alta de 8,9% na comparação anual. O volume exportado cresceu 4,1%, enquanto os preços avançaram 4,2%.
Para o conjunto da economia, a CNI estima exportações de US$ 386,7 bilhões e importações de US$ 309,4 bilhões em 2026, o que resultaria em superávit comercial de US$ 77,3 bilhões. Na avaliação da entidade, o desempenho das commodities agrícolas e da produção de petróleo sustenta o crescimento e contribui para as contas externas, enquanto os setores mais dependentes do mercado doméstico enfrentam maiores dificuldades.











