Um novo relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) reabre a discussão sobre o acidente que resultou na morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK) e seu motorista, Geraldo Ribeiro. A relatora Maria Cecília Adão conclui que JK pode ter sido assassinado pela ditadura militar, o que pode levar à reformulação das certidões de óbito dos dois.
O documento, que será votado pelo colegiado, se baseia em perícias recentes que contradizem investigações anteriores. A análise do contexto político da época também é um fator importante, uma vez que JK era visto como uma ameaça ao regime militar.
A polêmica em torno da morte de JK
JK faleceu em agosto de 1976, em um acidente na Via Dutra. Desde então, a versão oficial de um acidente tem sido contestada por diversas teorias que sugerem um possível atentado. A investigação inicial, realizada em 1976, atribuiu a perda de controle do veículo a uma colisão com um ônibus, mas novas evidências questionam essa narrativa.
Pesquisadores de instituições como a Faculdade de Direito da USP e a Universidade Presbiteriana Mackenzie argumentam que o acidente pode ter sido resultado de uma sabotagem ou até mesmo envenenamento do motorista. O novo relatório também incorpora análises do Ministério Público Federal, que identificou falhas nos laudos da época.
Além disso, a CEMDP foi reaberta em 2024, após ter sido encerrada em 2022. A nova análise do caso inclui depoimentos de familiares e membros da extinta Comissão da Verdade de São Paulo, que pedem uma reavaliação do que realmente aconteceu no dia do acidente.
O relatório do MPF, que já havia sido divulgado em 2025, refuta a tese de colisão entre o Opala de JK e o ônibus. Perícias indicam que não houve marcas de frenagem, e a hipótese de sabotagem não pode ser descartada, especialmente considerando que o motorista reclamou de alterações no carro antes da viagem.
O contexto político da época também é crucial para entender a situação. JK era uma figura proeminente na resistência à ditadura, e documentos da Operação Condor sugerem que ele era visto como uma ameaça. A possibilidade de que sua morte tenha sido um atentado político levanta questões sobre a segurança e a proteção dos direitos humanos no Brasil durante aquele período.
Se a CEMDP acatar as conclusões do relatório, o Estado poderá emitir novas certidões de óbito, reconhecendo JK e Geraldo Ribeiro como vítimas da ditadura militar. Essa decisão pode ter um impacto significativo na memória histórica do Brasil e na luta por justiça em casos de violência política.











