O mercado brasileiro do boi gordo encerrou outubro com forte valorização e novos recordes nominais para a arroba. A oferta limitada de animais prontos para o abate, as escalas reduzidas nos frigoríficos e a expectativa de aumento das compras internacionais, especialmente da China, elevaram a disputa pela matéria-prima em importantes regiões pecuárias do país.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, as escalas de abate permaneceram entre cinco e sete dias úteis. O cenário aumentou a necessidade de compra por parte das indústrias e favoreceu novos reajustes.
Em São Paulo, uma das principais referências do mercado pecuário nacional, os preços ficaram entre R$ 385 e R$ 395 por arroba, com negócios mais frequentes chegando a R$ 400. De acordo com Iglesias, a valorização também alcançou outras importantes regiões produtoras do Brasil.
A menor disponibilidade de bovinos terminados foi um dos principais fatores de sustentação das cotações. Com menos animais para negociação, os frigoríficos encontraram dificuldades para ampliar as programações de abate e elevaram as ofertas para garantir o abastecimento das unidades.
A expectativa de intensificação da demanda chinesa em novembro e dezembro também contribuiu para fortalecer o mercado. O analista da Safras & Mercado ressalta, porém, que o impacto efetivo dessas compras dependerá da administração das cotas de importação da China e do ritmo das contratações feitas pelos compradores internacionais.
No mercado futuro, os contratos negociados na B3 refletiram o cenário de alta. Diversos vencimentos ultrapassaram R$ 400 por arroba, enquanto o contrato com vencimento em novembro atingiu a máxima de R$ 407.
Levantamentos do mercado físico realizados em 30 de outubro apontaram valorização expressiva nas principais praças pecuárias brasileiras, considerando os preços do boi gordo na modalidade a prazo. Em algumas regiões, os avanços superaram 8% em relação ao fim de setembro.
Em São Paulo, na capital, a arroba foi cotada a R$ 395, alta de 8,22% sobre os R$ 365 registrados no fim de setembro. Em Goiânia (GO), o preço chegou a R$ 375, valorização de 7,14% ante os R$ 350 do encerramento do mês anterior.
Em Uberaba (MG), a arroba alcançou R$ 380, avanço de 8,57% em relação aos R$ 350 registrados no fechamento de setembro. Em Dourados (MS), a cotação foi de R$ 380, alta de 7,04% frente aos R$ 355 praticados no fim do mês passado.
Em Cuiabá (MT), o boi gordo foi negociado a R$ 365 por arroba, valorização de 5,80% sobre os R$ 345 informados no fechamento da semana anterior. Em Vilhena (RO), a cotação chegou a R$ 368, alta de 6,67% ante os R$ 345 registrados no fim da semana passada.
O mercado atacadista de carne bovina também acompanhou a valorização da arroba e do mercado de reposição durante outubro. A oferta mais restrita elevou os preços dos principais cortes, embora a concorrência com as carnes de frango e suína tenha limitado reajustes mais expressivos.
Conforme a análise de Fernando Iglesias, a menor competitividade da carne bovina em relação às proteínas concorrentes continua sendo um obstáculo para uma valorização mais ampla no atacado. No fim de outubro, o quarto do traseiro foi cotado a R$ 29,50 por quilo, alta de 5,36% sobre os R$ 28 registrados no fim de setembro. O quarto do dianteiro ficou em R$ 22,30 por quilo, avanço de 3,72% ante os R$ 21,50 do encerramento do mês anterior.
Apesar da alta dos preços no mercado interno, as exportações brasileiras de carne bovina tiveram desempenho mais moderado em outubro, na comparação com o mesmo período de 2025. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que os embarques de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada movimentaram US$ 970,950 milhões nos primeiros 16 dias úteis do mês.
A receita média diária foi de US$ 60,684 milhões, enquanto o volume exportado totalizou 154,504 mil toneladas, com média de 9,656 mil toneladas por dia útil. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.284,30.
Em relação a outubro de 2025, a receita média diária recuou 24,8% e o volume médio exportado caiu 33,7%. Já o preço médio da tonelada aumentou 13,5%. Os dados indicam que, embora o valor médio internacional da carne bovina brasileira tenha avançado, houve redução significativa na receita diária e no volume embarcado.
O desempenho de outubro reforça a influência da oferta de animais terminados sobre a formação dos preços do boi gordo no Brasil. Com escalas curtas e maior necessidade de compra pelos frigoríficos, a arroba alcançou patamares recordes em importantes praças pecuárias.
Para os próximos meses, o comportamento das cotações dependerá da recomposição da oferta, do consumo doméstico e da efetivação das compras chinesas. A administração das cotas de importação pela China também será determinante para medir a intensidade da demanda externa e seus efeitos sobre a competitividade da carne bovina brasileira.
Enquanto a oferta permanecer limitada, o mercado físico seguirá sensível à disputa entre os frigoríficos pela aquisição de animais, mantendo a atenção dos pecuaristas sobre os próximos movimentos da arroba.
Com informações do Portal do Agronegócio.











