A primeira Ferrari Luce de produção foi arrematada por US$ 40 milhões, cerca de R$ 216 milhões em conversão direta, em um leilão beneficente realizado pela RM Sotheby’s durante o Monterey Car Week, na Califórnia, nos Estados Unidos.
Identificado como “Chassis 0”, o exemplar é considerado pela Ferrari o primeiro chassi de produção do seu programa de estreia no segmento de carros 100% elétricos. O valor arrecadado será destinado integralmente a futuras iniciativas educacionais da Ferrari Foundation, organização beneficente reconhecida nos Estados Unidos.
A unidade recebeu uma configuração exclusiva do programa Ferrari Tailor Made, desenvolvido em parceria com o estúdio de design da marca. A carroceria tem pintura Madreperla Semi-Gloss, criada especificamente para o veículo, com pigmento que produz reflexos entre verde e violeta conforme a incidência e o ângulo da luz.
O interior utiliza couro metálico Le Mans Perla. Já os elementos normalmente pretos foram produzidos na cor Grigio Corvara, seguindo o tema visual baseado na luminosidade.
Apresentada em maio, a Luce é o primeiro modelo totalmente elétrico da Ferrari. Segundo informações anteriores do Financial Times, a fabricante teria atingido em julho sua meta de vendas para 2026, de pouco menos de 500 unidades. O modelo parte de € 550 mil na Europa, e a empresa planeja comercializar aproximadamente 2.500 unidades até 2030.
Apesar da ruptura com a tradição da marca, a Luce não foi criada para substituir os esportivos Ferrari equipados com motores V8 ou V12. A proposta é demonstrar a capacidade tecnológica da fabricante e atrair uma nova geração de clientes de alto poder aquisitivo.
O carro possui um motor elétrico dedicado em cada roda, todos desenvolvidos e produzidos em Maranello. Os motores dianteiros giram a até 30 mil rpm, enquanto os traseiros chegam a 25.500 rpm. Os propulsores traseiros entregam 310 kW cada, e os dianteiros, 105 kW.
A potência é gerenciada pelo sistema e-Manettino. No modo Range, voltado a viagens longas, são 320 kW, tração traseira e velocidade máxima de 260 km/h. No modo Tour, destinado ao uso cotidiano, a potência chega a 460 kW, com tração integral. Já o modo Performance oferece 725 kW, equivalentes a 986 cv, tração integral permanente e velocidade máxima de 310 km/h.
Com o Launch Control, a Luce libera 1.050 cv e acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e de 0 a 200 km/h em 6,8 segundos. As borboletas atrás do volante não simulam marchas: elas ajustam a entrega de torque e o freio-motor regenerativo por meio do sistema Torque Shift Engagement.
A bateria, projetada e montada em Maranello, trabalha com arquitetura de 800 volts e integra a estrutura do veículo. Segundo a Ferrari, seu posicionamento reduz o centro de gravidade em quase 95 milímetros em relação ao Purosangue, com efeito equivalente ao de conduzir um carro 400 kg mais leve. A Luce pesa 2,2 toneladas.
O conjunto também conta com vetorização de torque por meio dos motores independentes e eixo traseiro esterçante. Os 15 módulos da bateria foram desenvolvidos em parceria com a sul-coreana SK On. A autonomia estimada é de 530 km em condições ideais, enquanto a recarga rápida chega a 350 kW.
A Ferrari oferece garantia de oito anos, sem limite de quilometragem, para o trem de força e os componentes. A estrutura da bateria foi preparada para receber, futuramente, módulos de nova geração.
Embora a venda tenha ocorrido nos Estados Unidos, o carro retornará a Maranello, na Itália, após a conclusão do negócio. A entrega definitiva está prevista para o primeiro trimestre de 2027. O exemplar foi construído conforme as especificações do mercado norte-americano, e o comprador terá de arcar com os procedimentos de exportação, importação e eventuais adaptações às regras locais caso resida em outro país.
Fonte: Motor1.com, com informações da RM Sotheby’s, Ferrari e Financial Times.











