A estabilidade da produção brasileira de azeite de oliva, o combate a irregularidades em produtos importados e a preparação do Brasil para integrar o Conselho Oleícola Internacional (COI) foram os principais temas da terceira visita consecutiva de representantes do organismo ao país.
A missão passou por propriedades nas regiões de Bagé e Canguçu, no Rio Grande do Sul, onde foram visitados pomares, lagares e tecnologias utilizadas pelos produtores. A programação também incluiu reuniões com olivicultores e atividades de formação de profissionais especializados na avaliação da qualidade dos azeites.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho, a agenda permitiu apresentar os avanços tecnológicos do setor e discutir desafios para o desenvolvimento da atividade. Entre eles está a redução das oscilações no volume produzido entre as safras.
“Tivemos a oportunidade de mostrar nossos modernos lagares, nossos pomares e discutir um pouco sobre os desafios. Eles envolvem ter estabilidade produtiva, ou seja, repetir anualmente uma produção de azeite que nos permita manter os clientes conquistados”, afirmou Obino Filho.
De acordo com o Ibraoliva, os produtores brasileiros priorizaram sistemas de cultivo e processamento voltados à produção de azeites extravirgens de alta qualidade, embora o volume nacional ainda seja pequeno em comparação com o dos principais países produtores.
“Demonstramos que o nosso azeite brasileiro, na média, é o melhor azeite do mundo, porque fizemos a opção pela qualidade e não pela quantidade”, declarou o presidente da entidade.
A fiscalização dos azeites importados também esteve no centro das discussões. O Ibraoliva informou que trabalha com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para ampliar o controle sobre produtos cuja qualidade pode não corresponder à categoria indicada nos rótulos.
“Não podemos mais admitir que azeites de baixíssima qualidade, às vezes lampantes, entrem no país rotulados como extravirgens para concorrer com o verdadeiro extravirgem que é feito no Brasil”, ressaltou Obino Filho.
O azeite lampante não atende aos requisitos para ser comercializado diretamente como azeite de oliva virgem para consumo e precisa passar por tratamento adequado antes de uma eventual destinação alimentar. O aperfeiçoamento da fiscalização busca proteger os consumidores e assegurar que a classificação declarada nas embalagens corresponda às características dos produtos.
A adesão do Brasil ao Conselho Oleícola Internacional foi outro assunto tratado durante a missão. Conforme o presidente do Ibraoliva, produtores e Ministério da Agricultura trabalham para viabilizar a participação brasileira no organismo.
“O COI trabalha pela adesão do Brasil ao Conselho e estamos na reta final dessa adesão. Com isso, estaremos junto dos principais participantes do mercado mundial para tratar de assuntos relacionados ao nosso mercado”, explicou.
A participação no conselho poderá aproximar o Brasil das discussões internacionais sobre qualidade, padrões técnicos, mercado e desenvolvimento da olivicultura, além de ampliar as oportunidades de cooperação e capacitação no setor.
A visita deu continuidade a uma agenda iniciada em 2024, quando representantes do COI estiveram no Rio Grande do Sul para conhecer propriedades e unidades de processamento e participar de reuniões com autoridades federais. Em 2025, a programação incluiu produtores da região da Mantiqueira, entre São Paulo e Minas Gerais, além de ações de capacitação para profissionais do varejo e da gastronomia.
Nesta etapa, além das visitas a olivais gaúchos e dos encontros com produtores em Porto Alegre e Bagé, foram realizadas atividades de formação de especialistas em análise sensorial. Esses profissionais poderão atuar em painéis técnicos responsáveis por avaliar atributos e identificar possíveis defeitos nos azeites, contribuindo para a classificação dos produtos nas categorias virgem e extravirgem.
“Esses painéis são importantíssimos quando se fala em qualidade, quando se pensa em ter rastreabilidade do azeite importado e análise sensorial dos azeites produzidos no Brasil e no exterior, para que o consumidor seja protegido e saiba que está consumindo o verdadeiro azeite extravirgem”, observou Obino Filho.
A agenda do COI no Brasil também prevê ações com profissionais de restaurantes e representantes do varejo no Rio de Janeiro. A campanha internacional de promoção do consumo de azeite no mercado brasileiro está programada para o período de 2024 a 2027, em parceria com o Ibraoliva e o Ministério da Agricultura.
Fonte: Portal do Agronegócio.











