Empresas brasileiras registraram ganhos de produtividade com o uso da inteligência artificial (IA) acima da média internacional, segundo o relatório Build Beyond Limits: AI Reality Report, divulgado pela Avanade. O estudo também aponta uma diferença entre a percepção das organizações sobre sua maturidade tecnológica e o nível de transformação efetivamente alcançado.
Embora 77% das empresas pesquisadas se considerem estabelecidas, avançadas ou AI-first em sua jornada de adoção, apenas 18% afirmam ter reformulado profundamente suas operações em torno da IA. Além disso, 75% avaliam que as empresas costumam apresentar publicamente um nível de maturidade tecnológica superior ao que realmente possuem.
O levantamento mostra ainda que 72% das organizações têm alta confiança na capacidade de suas equipes de utilizar a inteligência artificial de forma eficiente.
A pesquisa ouviu 3.600 tomadores de decisão de negócios em 11 mercados da América do Norte, Europa, Oriente Médio e África (EMEA), Ásia-Pacífico e Japão. Os participantes representam empresas com faturamento anual superior a US$ 500 milhões, dos setores de serviços financeiros, energia, saúde, manufatura, varejo, transporte e bens de consumo.
No Brasil, foram entrevistados 230 executivos. De acordo com os resultados, 67% das organizações nacionais registraram melhorias significativas ou transformacionais na produtividade dos colaboradores com o uso da IA, contra uma média global de 59%.
Além disso, 71% dos gestores brasileiros consideram que suas empresas estão mais avançadas na adoção da tecnologia do que os concorrentes diretos. O índice é superior aos 68% registrados globalmente.
A percepção sobre os retornos financeiros dos investimentos em IA também difere entre o Brasil e o cenário internacional. Enquanto 65% dos líderes globais acreditam que a tecnologia ainda não gerou resultados financeiros suficientes para justificar os recursos e o tempo empregados, 51% dos entrevistados brasileiros discordam dessa avaliação, indicando uma percepção mais positiva sobre os benefícios econômicos da adoção.
Apesar dos avanços em produtividade, as empresas brasileiras ainda concentram esforços na otimização de processos existentes, em vez de promover mudanças estruturais nos modelos de negócios e nas operações. Embora 85% das organizações nacionais considerem urgente acelerar a adoção da IA, muitas ainda precisam ampliar o uso da tecnologia em diferentes áreas e revisar fluxos de trabalho tradicionais.
A preparação dos profissionais é outro desafio apontado pelo estudo. No Brasil, 77% das organizações avaliam que são necessárias melhorias moderadas ou significativas, com urgência, nos programas de capacitação em letramento em IA. A medida busca garantir que os colaboradores compreendam as possibilidades, as limitações e as formas adequadas de aplicação da tecnologia em suas atividades.
Para Adriano Picchi Neves, presidente da Avanade Brasil, os resultados mostram que as empresas nacionais já obtêm benefícios concretos com a inteligência artificial, mas ainda precisam avançar para uma transformação mais abrangente.
“Os dados mostram que as organizações brasileiras já estão capturando valor relevante com inteligência artificial. No Brasil, 67% relatam melhorias significativas ou transformacionais na produtividade, acima da média global de 59%, e 51% já percebem retornos positivos de seus investimentos em IA. Mas esse avanço é apenas o começo. O próximo passo é transformar ganhos de eficiência em uma mudança mais profunda na forma como as empresas operam e criam valor. Isso exige ir além de aplicar IA aos processos existentes e ter coragem de repensar modelos, fluxos de trabalho e formas de trabalhar”, afirma.
O executivo acrescenta que a qualificação das equipes será determinante para essa evolução. “Pessoas serão centrais nessa transformação: 77% das organizações brasileiras reconhecem que ainda precisam evoluir o letramento em IA de suas equipes. Combinar capacitação, governança e transformação do negócio será fundamental para sustentar esse avanço e capturar todo o potencial da IA”, complementa.
Na avaliação de Ben Beath, Chief AI Officer (CAIO) da Avanade, a quantidade de ferramentas de inteligência artificial adotadas não é, por si só, um indicador de competitividade. Para ele, o principal é verificar se os investimentos estão modificando a maneira como as empresas tomam decisões, executam atividades e geram valor.
Beath também destaca que organizações criadas com estruturas nativas de IA enfrentam condições diferentes das companhias tradicionais. Por isso, essas empresas precisam avaliar seus indicadores de progresso diante das novas exigências do mercado.











