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Trigo de melhor qualidade se valoriza no RS, mas chuvas interrompem colheita no Sul
Foto original adaptada visualmente por IA.
Agro

Trigo de melhor qualidade se valoriza no RS, mas chuvas interrompem colheita no Sul

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A oferta limitada de trigo com qualidade adequada para panificação impulsionou os preços no mercado brasileiro na primeira semana de novembro. No Sul, as chuvas interromperam a colheita, enquanto os moinhos aumentaram a procura por lotes de melhor padrão, especialmente no Rio Grande do Sul.

Segundo Thiago Oleto, analista da Safras & Mercado, a indicação para o trigo em Porto Alegre chegou a R$ 1.510 por tonelada CIF, com frete incluído. O valor representa alta de R$ 30 em relação à semana anterior.

No Paraná, o trigo panificável manteve as cotações estáveis, mas o cereal destinado à alimentação animal caiu. A dificuldade para encontrar produto adequado à indústria mantém a diferença de preços entre os tipos de qualidade. Ao mesmo tempo, a queda nas referências do trigo argentino para embarques em novembro e dezembro limita novos aumentos no mercado brasileiro.

As condições climáticas também afetaram a oferta paranaense. Nos Campos Gerais, a indicação para o trigo Tipo 1 permaneceu em R$ 1.600 por tonelada CIF moinho. A referência geral ficou em R$ 1.550 por tonelada FOB e em R$ 1.680 por tonelada CIF Curitiba.

Já o trigo destinado à ração recuou de R$ 1.200 para R$ 1.150 por tonelada CIF Paranaguá, uma queda de R$ 50 na comparação semanal. Os temporais registrados desde domingo (1º), acompanhados de granizo e ventos fortes, aumentaram as preocupações com as lavouras. Em Maringá, foi registrado um tornado classificado como F2, com ventos entre 180 e 253 quilômetros por hora.

No Rio Grande do Sul, a principal dificuldade é encontrar trigo dentro dos parâmetros exigidos pelos moinhos. De acordo com o levantamento apresentado por Oleto, aproximadamente 60% da área prevista havia sido colhida, o equivalente a cerca de 1,07 milhão de toneladas.

Desse volume, apenas 16% foram classificados como trigo Tipo 1, com peso hectolítrico (PH) de 78. Cerca de 120 mil toneladas apresentaram número de queda (FN) superior a 250 e concentração de deoxinivalenol (DON) de até 2.000 partes por bilhão, atendendo aos parâmetros de moagem indicados na análise. Outras 220 mil toneladas foram consideradas de qualidade intermediária.

Por outro lado, aproximadamente 730 mil toneladas, ou 68% do total colhido, registraram FN inferior a 220 e DON acima de 3.500 partes por bilhão. Esse volume ficou fora das exigências industriais consideradas no levantamento.

Os moinhos buscam trigo com FN a partir de 230 e DON de até 2.500 partes por bilhão. Para lotes com essas características, as indicações chegaram a R$ 1.400 por tonelada no interior gaúcho. Também há discussões sobre a compra de produto com FN entre 220 e 230 e DON entre 2.500 e 3.000 partes por bilhão, mas ainda não foram definidos preços para esse padrão.

As indicações dos moinhos para o trigo de melhor qualidade ficaram entre R$ 1.550 e R$ 1.555 por tonelada CIF. Na região das Missões, foram registrados negócios pontuais a R$ 1.400 por tonelada no interior.

Para a nova safra, o trigo foi indicado a R$ 1.400 por tonelada FOB em Santa Rosa e a R$ 1.430 por tonelada em Carazinho. Em Porto Alegre, a referência de R$ 1.510 por tonelada CIF confirmou a alta semanal de R$ 30. Já o produto de qualidade inferior busca canais alternativos, como a alimentação animal, segmento em que a indicação ficou em R$ 1.210 por tonelada CIF porto.

Apesar da procura por trigo de melhor qualidade e dos impactos das chuvas sobre a colheita brasileira, as ofertas da Argentina reduzem o espaço para novas valorizações. Com isso, as negociações seguem condicionadas à qualidade disponível, ao avanço da colheita e à competitividade do produto importado.

As informações são do Portal do Agronegócio, em publicação de 6 de novembro de 2026.

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